ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 23/11/2020

Na Grécia Antiga, o surgimento da democracia marcou uma mudança que se refletiria, mais tarde, em diversas partes do mundo. Com o nascimento desse sistema administrativo, os cidadãos passaram a participar mais das decisões governamentais e sociais de onde viviam, e, dessa forma, as diversas camadas da sociedade puderam ser vistas e valorizadas. O Brasil foi um dos países que adotou a soberania popular e permitiu a luta por mais igualdade entre as classes. No entanto, a corrupção não deixou de existir na nação, o que dificulta o fazer político até os dias atuais. Tal problemática persiste por raízes identitárias e coletivas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a identificação com a pátria tem enorme peso nessa questão. Isso decorre do fato de que, ao colocar os ideias da nação em primeiro lugar, os indivíduos podem deixar valores morais de lado. Além disso, insere-se nesse contexto a mitificação de autoridade, isto é, quando as pessoas passam a ver o político como um ser maior e seguir cegamente o que ele defende. Esse patriotismo exacerbado pode ser visto no livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, no qual o protagonista perde tudo o que tinha após uma vida inteira de dedicação ao estudo e exaltação do Brasil. De maneira análoga à obra, ao ter atitudes parecidas com a de Policarpo, a população pode se desapossar daquilo que ela tem de mais precioso: seus princípios éticos.

Outro fator a ser analisado é a falta de liberdade de expressão. Nesse âmbito, pode-se tomar como exemplo a ditadura militar brasileira, na qual todos eram obrigados a concordar com o regime instaurado para que não sofressem castigos severos. Todavia, na atual democracia, apesar do fim do autoritarismo, ainda existe repressão, não somente por parte dos governantes, mas também da própria população. Isso decorre do fato de que ainda há cidadãos que não aceitam a diversidade de opiniões e, por isso, julgam o diferente. Dessa forma, muitos apresentam receio ou se sentem desconfortáveis para expressar aquilo que acham ser correto.

Observa-se, portanto, que as razões relativas à identidade e ao contexto social dificultam o estabelecimento da ética frente à política nacional. Destarte, medidas são necessárias. É necessário que o Ministério da Justiça garanta a liberdade de expressão como direito do cidadão para que ele possa defender suas ideias livremente, sem ser julgado ou ameaçado. Isso deve ser feito por meio de sua maior presença em manifestações e na internet e da maior investigação de casos em que tal autonomia é cerceada, além da realização de propagandas que incentivem as pessoas a não deixarem seus princípios de lado. Dessa maneira, a autodeterminação e a consciência coletiva será preservada. Com essas ações será possível a concretização do regime democrático ligado à moral no Brasil.