ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 29/12/2020
O ser humano é, como teoriza Eric Hobsbawm em “Como Mudar o Mundo”, um conjunto de relações concretamente determinado pela história. Não está interessado somente em interpretá-lo, mas em transformá-lo. Entretanto, quando se discute sobre o indivíduo frente à ética nacional, percebe-se que há, na contemporaneidade, um empecilho de proporções históricas no que concerne à população brasileira em relação aos princípios éticos e morais vigentes no Brasil. Nessa conjuntura, salienta-se que esse problema da ética no Brasil ocorre em virtude da má formação social do país relativa à sua história, afetando o modo de pensar e de agir do seu povo.
É preciso esclarecer, de início, que o Brasil foi uma colônia de base extrativista e, dessa maneira, houve uma defasagem cultural no que se refere aos princípios éticos, pois existiu um certo desleixo, por parte de Portugal, no investimento dos setores da cultura e da educação. Nesse sentido, confirma-se a ideia de Hobsbawm, na medida em que esses processos culturais definem-se pela história. Vale ressaltar, portanto, que a particularidade comum do brasileiro é ter um questionamento crítico dos problemas da ética no Brasil, porém, não se dá conta de que ele também se enquadra nessa característica. Assim sendo, configura-se a hipocrisia por parte das pessoas ao considerar que somente os outros são autores da imoralidade, visto que essas também a praticam. Dessa forma, fica claro que todo esse sistema pode ser explicado pelo caminho histórico pelo qual o país percorreu ao longo dos séculos.
Outra questão determinante, nessa discussão, é o fato de que, sem o conhecimento histórico da população, o indivíduo perde sua capacidade de crítica à sociedade, uma vez que carece da concepção de sua identidade histórica. A partir desse ponto, destaca-se a percepção de Karl Marx, pois, como advoga o sociólogo, os indivíduos, marcados pelo processo de alienação, não se reconhecem como sujeitos históricos. Isso significa que a noção de pertencimento e de criticidade do cidadão no que diz respeito à ética torna-se comprometida, visto que o conhecimento histórico se encontra ausente neste.
Tendo em vista os aspectos observados, salienta-se que todos esses processos têm, como base, a decorrência histórica que o Brasil sofreu, e isso afeta o modo de pensar dos brasileiros. Dessa forma, é necessário que o poder público promova ações relevantes, como a implantação de conhecimento da identidade histórica aos cidadãos. Isso se efetivaria por meio de programas de incentivo cultural e educacional que tenham como base a identidade histórica, a fim de promover maior discernimento crítico perante a sociedade e formar a ideia de sujeito histórico. Com essas ações, acredita-se que se possa criar um país onde a falta de ética seja cada vez menos presente no cotidiano.