ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 02/08/2021

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa as atitudes comportamentais do indivíduo frente à ética nacional, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrisicamente ligada à realidade do país, seja pela normalização do comportamento corrupto, seja pela prática do termo “Jeitinho Brasileiro”. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possivel perceber que no Brasil, a crescente normalização da corrupção rompe essa harmonia, haja vista que dados apresentados pelo IBGE entregam que 3 em cada 5 orgãos políticos sofrem corrupção em sua estrutura. Isso acontece pelo descaso governamental perante o problema descrito.

Outrossim, destaca-se o engrandecido “Jeitinho Brasileiro” como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalizada e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que engrandecer um comportamento de caráter desonesto e estimular o seu uso corriqueiro, piora de maneira drástica o problema apresentado.

É evidente, portanto, que ainda há entrave para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, o Governo Federal deve fiscalizar mensalmente instituições políticas, promovendo uma rigorosa abolição das ações de caráter corrupto. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação tranforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que promovam concientizações acerca de comportamentos de caráter desonesto, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.