ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 10/11/2021

A crise ética brasileira é consequência do passado e da negligência familiar. Assim sendo, a imoralidade é reflexo do passado colonial e não está presente apenas na esfera política como o senso gregário prega, ela permeia a família. Logo, há raízes históricas e uma tentativa de tercerização da culpa para os representantes de estado, atitudes essas que ajudam a perdurar a anti-ética.

A priori, desde o princípio, os portugueses praticaram a falta de ética na colonização, por exemplo: o massacre de nativos, o apagamento da cultura africana e indígena, além das violências sexuais praticadas contra as escravas. Nesse viés, a sociedade brasileira é fruto da indecência. Por conseuguinte, como forma de ‘‘compensar’’ o atraso histórico sofrido, os marginalizados começaram a praticar ações imorais com o objetivo de alcançar a ascenção social. Portanto, é dessa maneira que a ética torna-se escassa entre os indivíduos e cria-se no imaginário popular que quem é ético tem prejuízos.

Outrossim, de acordo com uma pesquisa da Datafolha 90% dos jovens acham que a sociedade brasileira não é ética e alguns afirmaram que a própria família é anti-ética. Nessa perspectiva, os jovens são criados com o sentimento de que ser ético é ficar isolado. Nota-se, dessa maneira, que a família é a precursora da perversidade e que os jovens se sentem em um mar de imoralidade e a prática do bem é a exceção.

Portanto, a família, por ser o primeiro meio de socialização da criança, deve cultivar a ética. Isso pode ser efetuado por intermédio das boas ações dos pais como exemplos a serem seguidos pelos filhos. Paralelamente, nas aulas de Filosofia, a ética deve ser abordada com maior profundidade pelos professores, para tanto o material escolar deve ser alterado, visando a discussão entre os alunos a respeito do assunto nas salas de aula. Só assim, o brasileiro conseguirá desconstruir essa raiz histórica.