ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 19/11/2021
Consoante ao sociólogo Émile Durkheim, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que a carência de ética ultraja a manutenção da coesão da sociedade, uma vez que esta é uma importante direcionadora das relações sociais nacionais ao dirimir práticas corruptas. Assim, é medular por essa temática em voga para suscitar o estabelecimento de um Brasil mais justo, seja no âmbito privado, seja na esfera pública.
Primeiramente, é profícuo destacar que a secundarização da questão da ética relativiza esse tema na sociedade. Nesse viés, o filósofo Jünger Habermas destaca a linguagem como meio de transformação dos aspectos subjetivos, objetivos e sociais do mundo. Desse modo, para que a ética se mostre presenta nas interrelações pessoais que se dão no Brasil e, então, possibilitar a criação de um país no qual há reciprocidade no tratamento entre os indivíduos, é necessário debater sobre. Desse modo, por intermédio do diálogo, é possível criar um ambiente pautado em valores éticos onde cada cidadão preocupa-se com as consequências que as suas ações podem ocasionar ao próximo e age de modo a garantir o bem-estar alheio. Logo, é elementar pôr em voga o discurso de Habermas.
Faz-se mister, ademais, salientar a necessidade da ética no cenário público para atestar o progresso brasileiro. Nesse sentido, o preâmbulo da Carta Magna de 1988 garante a tarefa estatal de zelar pelo progresso da nação. Conquanto, conforme pesquisa Datafolha, cerca de 30% da população não confia no Ministério Público. Dado o exposto, fica evidente que a falta de responsabilidade do governo no cumprimento das suas incumbências, que ficam restritas à teoria legislativa, denotam uma falha ética do Estado. À vista disso, o emprego de princípios éticos no âmbito público é elementar para assegurar os direitos populares e garantir o pragmatismo das leis, o que efetiva o papel governamental na sociedade.
Portanto, frente a tal realidade, urge que o Ministério da Educação promova, nas escolas, seminários com profissionais tais como professores de filosofia, sociologia e direito, que discorram a respeito da importância da ética nas relações sociais nacionais. Destarte, por intermédio da ação do governo, pode-se suscitar, desde cedo, que as práticas éticas sejam um costume natural aos indivíduos. Isso possibilita que os futuros funcionário públicos carreguem intrinsecamente em si o compromisso de agir em favor do bem popular. Dessa maneira, a sociedade ganha condições de funcionar, a valer, como o “corpo biológico” de Durkheim.