ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 20/11/2021
Consoante ao sociólogo Émile Durkheim, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que a carência de ética ultraja a manutenção da coesão da sociedade, uma vez que esta é uma importante direcionadora das relações sociais nacionais ao dirimir práticas corruptas. Assim, é medular por essa temática em voga para suscitar o estabelecimento de um Brasil mais justo, seja no âmbito privado, seja na esfera pública.
Primeiramente, é profícuo destacar que a secundarização da questão da ética relativiza esse tema na sociedade. Nesse viés, o filósofo Jünger Habermas destaca a linguagem como meio de transformação dos aspectos subjetivos, objetivos e sociais do mundo. Desse modo, para que a ética se mostre presente nas interrelações pessoais que se dão no Brasil e, então, possibilitar a criação de um país no qual há reciprocidade no tratamento entre os indivíduos, é necessário debater sobre. Desse modo, por intermédio do diálogo, é possível criar um ambiente pautado em valores éticos onde cada cidadão preocupa-se com as consequências que as suas ações podem ocasionar ao próximo e age de modo a garantir o bem-estar alheio. Logo, é elementar pôr em voga o discurso de Habermas.
Faz-se mister, ademais, salientar a necessidade da ética no cenário público para mitigar condutas corruptas no Brasil. Nesse sentido, o preâmbulo da Carta Magna de 1988 atesta o compromisso de zelar pelo progresso nacional. Conquanto, dados do Datafolha, segundo os quais 30% da população não confiam no governo, expõem uma falha ética do Estado, que, muitas vezes, restringe as garantias legais à legislação. À vista disso, o emprego de princípios éticos em meio ao Ministério Público se mostra medular para suprimir a normalização de práticas que afligem não só à Constituição, mas a toda população. Assim, o pragmatismo das leis compreende uma forma pela qual a ética pode ingerir no âmbito político com vista ao benefício nacional.
Portanto, frente a tal realidade, urge que o Ministério da Educação promova, nas escolas, seminários com profissionais tais como professores de filosofia, sociologia e direito, que discorram a respeito da importância da ética nas relações sociais nacionais para assegurar o bem comum e mitigar condutas que prejudicam o corpo social. Destarte, pode-se suscitar, desde cedo, que as práticas éticas sejam um costume natural aos indivíduos. Isso possibilita que os futuros funcionário públicos carreguem intrinsecamente em si o compromisso de agir em favor do avanço social e político do Brasil. Dessa maneira, a sociedade ganha condições de funcionar, a valer, como o “corpo biológico” de Durkheim.