ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 20/01/2022
Em seu conceito da “Banalidade do Mal”, a filósofa alemã Hannah Arendt reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que são recorrentes. Analogamente, observa-se que na conjuntura brasileira contemporânea, a falta de ética na condução da nação é uma consequência da cultura brasileira de querer tirar proveito de qualquer situação, mesmo que a ação não seja correta. Isso se evidencia nos indivíduos que alegam que todos os políticos são corruptos, que em muitos casos mostram-se omissos frente à situações antiéticas do cotidiano, contribuindo assim, para a manutenção da cultura corrupta do país.
Em uma primeira análise, é imperioso notar que o negligência dos cidadãos quando esses presenciam ações que necessitam de uma intervenção potencializa a incoerência da sociedade, a qual exige um governo honesto. Nesse viés, pode-se analisar o óbice sob a perspectiva da filósofa Simone de Beauvoir. De acordo com sua análise, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Sob essa ótica, é notório que é hipócrita aquele que acredita que sua indignação resolverá qualquer problema, já que ações que realmente podem transformar a conjuntura não são tomadas por ele. É imprescíndivel, no entanto, que a indignação seja motor de ações que realmente visam mudar o panorama da sociedade e da política.
Por conseguinte, percebe-se que o problema mencionado acima é um grande motivador da persistência da política por interesses individuais. Segundo a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do pais, é dever do Estado garantir qualidade de vida para os indivíduos. Conquanto, nota-se que os governantes mantêm os interesses comuns em segundo plano, haja vista que o desleixo da sociedade em promover atitudes realmente efetivas para combater tais práticas, acabam perdendo espaço para ditados populares mais cômodos e que demandam menos esforços, como “todo político é corrupto”. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, urge que medidas capazes de mitigar a problemática sejam tomadas. Para tanto, é imperativo que a mídia - instrumento de ampla abrangência - por meio de discursos de filósofos, especializados em ética, promova a conscientização da população acerca da hipocrisia presente em nossa sociedade, mostrando que é necessário que a mudança ocorra dos estratos sociais menores para os maiores, a fim de tornar a nação mais justa, correta, coerente e ética. Assim, o Estado poderá garantir que seus indivíduos desfrutem das prerrogativas que estão contidas na Magna Carta.