ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 21/03/2022

Para o sociólogo francês Emille Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Diante dessa perspectiva, o indivíduo, inserido na sociedade que transborda o costume do ‘jeitinho brasileiro’, só poderá repetir as ações de escantear qualquer valor moral e ético a dispor de realizar suas vontades. Nesse contexto, convém analisarmos as principais consequências de tal postura para nosso convivio social.

O famoso ‘jeitinho brasileiro’ de se dar bem em cima dos outros, furando fila, não respeitando as prioridades, são pequenas corrupções que deturpam a ética social e abrem brechas para corrupções maiores, como a exemplo da conduta errônea de alguns políticos que refletem a população corrupta que representam. Uma pesquisa do IBGE aponta que 6 a cada 10 brasileiros afirmaram já ter dado um ‘jeitinho’ para conseguir se dar bem em determinadas situações, demostrando que a corrupção é um mal enraizado na cultura social, e que apenas a longo prazo pode-se perceber real diferença.

A ética, segundo o filósofo Kant, entrelaça as noções de liberdade e dever, ajustando o indivíduo às normas morais da sociedade, lhe dando consciência das suas obrigações e de agir conforme o que é justo. Essa definição vai ao encontro do praticado no dia-a-dia, com relações políticas e sociais cada vez mais líquidas, buscando apenas o benefício próprio. Diante de tal contexto, é notório o desejo do indivíduo de gozar apenas dos benefícios advindos da vida em sociedade, escanteado-se por total os deveres concernentes aos cidadãos.

Infere-se, portanto, que ainda existem diversos entraves na mudança da conduta social no que diz respeito à ética, sendo necessárias ações que solidifiquem o conceito de ética e abram espaço para que os indíviduos passem a agir éticamente. Nesse sentido, todas as esferas do governo devem lançar mão de medidas educacionais para a sociedade, e melhorar as aplicações dos recursos fiscais que detêm, promovendo a mudança de conduta no próprio sistema e na sociedade em geral, trazendo transparência, abolindo os pequenos e grandes atos corruptos e gradualmente ir mudando os nossos péssimos hábitos corriqueiros.