ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 04/09/2022

O escritor e jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira hodierna, como o comportamento individual frente à ética nacional. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.

Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção, da Legião Urbana, “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz da postura do cidadão diante da ética no Brasil. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que todo governo é formado por cidadãos, que têm origem na própria população. Portanto, indivíduos padecem com a falta de conscientização de que a classe dos políticos é apenas uma entidade restrita e abstrata, composta por pessoas normais e que deveriam respeitar seus semelhantes para que esses não tenham as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.

Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução do posicionamento do indivíduo frente à ética brasileira. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante o entendimento de que é errado reivindicar contra mazelas e o correto é vangloriar-se da ignorância alheia ou das astúcias dos mais poderosos. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se a comunidade. Logo, a insensatez cidadã afeta a continuidade do “status quo”, uma vez que a apatia contra atos de corrupção incentiva a impunidade e agrava as desigualdades.

Destarte, o Ministério da Cidadania deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de filmes informativos sobre a ação cidadã perante a ética nacional. Afinal, essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar as conclusões defendidas em “Modernidade Líquida”.