ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 06/04/2023

Conforme o “Imperativo Categórico”, proposto pelo filósofo Kant, os indivíduos devem agir segundo preceitos que eles gostariam que se tornassem universais. Dessa maneira, a justiça prevalecerá perante os desvios éticos típicos da vida social. Entretanto, é fácil observar que, ao passo que os políticos são acusados de corrupção, práticas corruptas mostram-se cada vez mais comuns no cotiano das cidades. Diante disso, para mitigar a problemática, cabe ao Estado controlar a corrupção vigente e, à sociedade, cabe a conscientização sobre o assunto.

Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é fundamental para a homeostase (equilíbrio interno) nacional. Nesse ínterim, tal assertiva é ratificada pelo entendimento do filósofo Jeremy Bentham, na obra “O Panóptico”, na qual sustenta que os indivíduos evitam transgredir ao sentirem-se observados sob a tutela estatal. Desse modo, evidencia-se que uma importante etapa na coibição de desvios éticos, como a corrupção, seria o exercício funcional das autoridades competentes de vigiar e proteger os cidadãos, assim como pregam as leis.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, conforme o autor, resultados melhores surgem quando o povo participa ativamente do processo de mudança. Por conseguinte, fica claro que, para criar uma realidade mais justa e harmônica, a conscientização popular deve ser iniciada precocemente, no seio familiar e nas escolas.

Portanto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue diuturnamente em prol da educação dos brasileiros, com vistas a coibir condutas antiéticas. Para isso, os parlamentares deveram consultar especialistas no assunto, de modo a assegurar a coerência dos trabalhos. Ademais, é mister que os resultados da comissão sejam repassados à população, nas escolas e universidades. Assim, gradativamente a sociedade colherá os frutos das medidas empreendidas.