ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 23/08/2023

No século XIX, surge o Naturalismo. Essa escola literária tinha como objetivo denunciar o quanto o coletivo interfere na formação do indivíduo. Apesar do hiato temporal, nota-se que esse costume é, ainda, bastante presente no Brasil. A novela “Vale Tudo”, da TV Globo, por exemplo, escancara o “jeitinho brasileiro” de uma maneira que, apesar de ter sido lançada na década de 80, continua tão atual quanto “sem ética”. Sendo assim, é importante analizar a razão que perpetua essa prática, além dos entraves para “o brasileiro” em si.

Primeiramente, é válido perceber que a falta de ética provém do egoísmo presente na classe dominante que governa o país. Isso acontece porque, muitas vezes, os interesses políticos são contaminados pelo patrionalismo, ou seja, o ato de gerir uma nação como se fosse uma propriedade privada. Essa teoria é estudada pela historiadora Lilia Schwarcz. Nesse sentido, vê-se que o modo que se comanda o país é baseado em interesses pessoais, no qual “Vale Tudo”. Por isso, não é estranho que a ausência da ética seja rotineira no Brasil.

Além disso, o patrionalismo é responsável por permitir que o desenvolvimento econômico não seja seguido pelo social, o que acaba por gerar uma grave consequência sanitária no brasileiro. Esse problema ocorre porque a disparidade de renda no país acaba por afetar a saúde mental dos cidadãos. Nesse cenário, o livro “O Nível”, do britânico Richard Wilkson, disserta sobre a questão na qual a massa que compṍe a base piramidal, de países com alta desigualdade social, sofre por não poder ter um padrão de vida semelhante à classe dominante, que tem um papel influenciador muito grande. Dessa maneira, infere-se que essa “tristeza” tenha base na tentativa de “imitar” o dominador, que por coincidência, também não possui ética, o que conserva o “jeitinho brasileiro”.

Portanto, cabe ao Poder Executivo Federal, mais precisamente o Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, aprimorar técnicas e métodos de distribuição de recursos. Isso pode ser feito por meio da liberação de verbas via Lei Orçamentaria Anual (LOA), que deve ser aprovada na Câmara dos Deputados e Senado. Dessa forma, a desigualdade social diminuirá, assim como a necessidade e imitar a classe dominante, egoísta e sem ética.