ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 21/10/2023

Tida em um contexto de descredibilidade, a ética, no Brasil, é tangenciada pela corrupção. Destarte, a degradação moral é legitimada não só pela representatividade de corruptores, como também pela inerência histórica ao contrato social. Logo, urgem mudanças no padrão do comportamento sociológico brasileiro.

Ademais, presente em níveis político e civil, a transgressão da ética é prática normalizada no território nacional. Outrossim, escândalos governamentais, que ameaçam a democracia, e episódios comuns de imoralidade permeiam a realidade brasileira. Dessa maneira, coexistem esquemas públicos de corrupção e lavagem de dinheiro e infrações, erroneamente tidas como “cotidianas”, do tipo: furar filas, desviar sistemas de água e energia. Em suma, à medida que é frequente, o modo antiético de conduta é tido na normalidade da manutenção do país.

Nesse sentido, de maneira análoga ao pensamento de Bertolt Brecht, os indivíduos não devem aceitar essa realidade equivocada como normal, a fim de que não passe a ser imutável. Dessa forma, o comodismo idiossincrático, revelador da dissimulação do “jeitinho brasileiro”, não deve tangenciar a ação e as justificativas dos desvios “comuns”. Por isso, visando à plenitude comportamental, a superação da popularidade antiética vai ao encontro de um ideal moral.

Infere-se, portanto, que assiste ao Poder Judiciário o dever de enquadrar práticas recorrentes de desvio de ética em código penal por meio da revisão da legislação vigente, para que sejam punidos, pelo direito civil, infratores autuados e para que, a longo prazo, o “jeitinho brasileiro” seja evitado. Por tudo isso, paulatinamente, serão atingidas a compreensão da ética e da moral contratualistas e, por conseguinte, a ordem e o progresso no tecido sociocultural da nação.