ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 22/10/2019
Esquecimento civil, recessão dos sonhos e espera pela morte. Assim pode ser caracterizado o cotidiano de muitos idosos no Brasil e representa um grande desafio para esse: a valorização do idoso na sociedade contemporânea. Sob essa perspectiva, há em relação ao grupo da terceira idade a desconsideração social adjacente à exclusão do mercado consumidor.
Primeiramente, salienta-se o grande descaso que a sociedade transmite a população idosa. Isso porque, dentre outros motivos, vive-se em um estado de liquidez e imediatismo. Essa nova realidade é responsável pela fragilidade das relações na contemporaneidade e contrasta com valores de muitos anciões. Zygmunt Bauman, sociólogo observador desse conjuntura, faleceu aos 91 anos de idade e até seus últimos dias teceu comentários críticos acerca dessa modernidade. Para ele, o dinamismo do consumo e mobilidade dos acontecimentos traz a ideia de efemeridade das relações e uma concepção acentuada de utilitarismo, isto é, o vínculo só deve ser mantido enquanto for “útil”.Nesse contexto, há duas observações: i) a reflexão do próprio Bauman, retrata o olhar dos sexagenários quanto a atualidade e ii) muitos membros do corpo civil já não enxergam a “utilidade” dos idosos e fazem pouco caso desses.
Além disso, nota-se a segregação da melhor idade aos produtos de consumo. Isso se dá, principalmente, devido a parca percepção das empresas sobre o crescimento desse nicho consumidor. Essa restrição de produtos e serviços que atendam aos sujeitos mais velhos pode ser verificada na ausência de publicidade voltada a este segmento como também na recusa, ilegal, à adesão de planos de saúde. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os idosos representam 13,5% da população e as projeções indicam o aumento desse número para as próximas décadas. Por conseguinte, percebe-se a dificuldade com que os idosos enfrentam para ter acesso aos bens de consumo e a desvalorização do comércio para com eles. Entende-se, portanto, que a apreciação da parcela mais velha do âmbito civil precisa ser concretizada. Assim sendo, o MEC (Ministério da Educação) deve promover uma instrução, junto às instituições de ensino, sobre a percepção dos idosos no presente século. Por esse ângulo, tal ação deve ocorrer por meio de oficinas de teatro, ministradas periodicamente nas escolas, para reproduzir o desprezo social aos avançados em idade. Isso posto, os estudantes terão uma posição crítica, visto que sentirão na pele, mediante a representação cênica, os sofrimentos dos vestutos. Dessa forma, a utlidade do idoso será uma premissa a ser rejeitada.