ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 05/05/2020
Ao longo de períodos históricos, como na Grécia Antiga, a população idosa era considerada sábia e deveria ser respeitada e honrada por suas experiências adquiridas no mundo. Entretanto, de encontro com essa visão, a sociedade contemporânea brasileira não cumpre com essa tradição, haja visto o crescimento exponencial de problemáticas relacionadas aos idosos com mais de 60 anos no país. Nesse sentido, cabe analisar o papel do Estado e das instituições familiares mediante a desvalorização do idoso no Brasil atual.
Primeiramente, vale destacar a negligência estatal no que tange à desvalorização dos longevos no século XXI. Conforme as diretrizes do Estatuto do Idoso, o Estado tem o papel de assegurar o direito à saúde e à cidadania à população idosa. Contudo, falhas no poder público como a ausência de profissionais da área da saúde, destinados aos idosos, torna-se visível nos hospitais do país. Tal questão pode ser analisada através do posicionamento do Conselho Federal de Medicina, ao afirmar que o Brasil conta somente com um geriatra para a média de vinte mil idosos, o que torna inviável suprir a alta demanda destes anciãos. Logo, o desleixo estatal contribui significativamente para a depreciação do idoso.
Além disso, é válido analisar a gafe familiar que fomenta a desvalorização do idoso na contemporaneidade. Na obra “Ensaios sobre a Cegueira”, de José Saramago, nota-se a perspectiva egocêntrica da modernidade, a partir da valorização exacerbada do “ter” em detrimento do “ser”, paralelo ao que ocorre com os idosos no Brasil hodierno, os quais são menosprezados. Sob essa ótica, diversas famílias abandonam seus anciãos em asilos por não serem pacientes e cautelosos para lidar com eles, ou até mesmo por considerarem-os insuficientes para contribuir ativamente na economia da família. Nesse viés, percebe-se que a tradição da Grécia Antiga de honrar, valorizar e respeitar os idosos por suas experiências e saberes é rompida durante o século XXI. Logo, diante dos fatos apresentados, explicita-se o descaso familiar com os longevos.
Portanto, é evidente que ainda há o crescimento exponencial de problemáticas relacionadas à desvalorização dos idosos. Cabe ao Governo Federal investir na divulgação de projetos sociais de formação de equipes multiprofissionais nas unidades básicas de saúde, por meio da mídia, como rádios, redes sociais e televisores, para que geriatras e agentes da saúde mobilizem-se e façam parte das equipes. Por exemplo, é de suma importância a formação de equipes médicas nos postos de saúde mais próximos de comunidades carentes, visto que idosos que residem nessas áreas necessitam de cuidados maiores. Assim, a sociedade brasileira far-se-á presente no processo de valorização do idoso.