ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 13/06/2020

Ocorrida paulatinamente a partir da década de 1950 no Brasil, o processo de transição demográfica representou uma alteração na pirâmide etária brasileira, a qual foi caracterizada, entre outros aspectos, pela diminuição da taxa de mortalidade devido, sobretudo, aos notáveis avanços na medicina. De fato, observa-se que essa mudança refletiu no considerável aumento da expectativa de vida e na consequente necessidade de consolidação de um paradigma de enaltecimento da terceira idade no país. Nesse sentido, é primordial analisar a relevância de se garantir a cidadania aos idosos, bem como os desafios provenientes da manutenção de um estigma social atrelado a essa minoria.

É válido ressaltar, nessa linha de raciocínio, que a garantia dos fundamentos constitucionais de uma nação à população constitui um dos pilares intrínsecos ao estabelecimento de uma democracia. Essa questão vai ao encontro ao pensamento do sociólogo britânico Thomas Humphrey Marshall, que define o conceito de cidadania como a garantia plena de todos os direitos políticos, civis e sociais de forma universal aos cidadãos. Nessa perspectiva, percebe-se que a garantia, entre outros fatores, da dignidade, da educação, da saúde e do lazer se faz imprescindível para a efetivação da cidadania para os idosos e, consequentemente, para a valorização dessa parcela da população.

Em contrapartida, denota-se que, na contemporaneidade, as relações sociais são, majoritariamente, marcadas pela atribuição de estereótipos a determinados grupos sociais que não se adequam à normatividade imposta pela sociedade. Tal fenômeno é ratificado pelo conceito de estigma social, o qual foi proposto pelo sociólogo canadense Erving Goffman e evidencia que o sentimento de inferioridade proveniente da associação de uma identidade negativa a uma parcela da população contribui, reiteradamente, para a ocorrência da marginalização social. Por conseguinte, infere-se que a estigmatização a que os idosos ainda são submetidos constitui uma herança cultural que associa a terceira idade à noção de “atraso”, dificultando a garantia da dignidade e a valorização dessa minoria.

Depreende-se, portanto, que a estigmatização constitui um impasse para o enaltecimento da população idosa. Posto isso, com vistas a desconstruir a identidade negativa atribuída a esse grupo, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de parcerias com redes de televisão, campanhas publicitárias que deverão ser expostas nos intervalos das programações televisivas. Essa medida deverá explicitar a importância de se garantir a cidadania a essa minoria, bem como a relação entre a manutenção de um estereótipo e a perpetuação da marginalização social. Somente assim, poder-se-á consolidar um cenário mais favorável à terceira idade, criando um contraste entre a realidade e o conceito de estigma social de Erving Goffman.