ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 03/11/2020

Na contemporaneidade, um número expressivo de países passa por uma transição demográfica, tornando a população idosa cada vez mais expressiva na população mundial. Entretanto, mesmo diante de tal fenômeno, a desvalorização da terceira idade é um quadro presente em grande parte da sociedade. Em vista disso, cabe dissertar a respeito de dois principais fatores acerca desse prisma: a negligência política e a discriminação social que os idosos enfrentam.

Em primeira análise, é fundamental ressaltar que o Estatuto do Idoso hoje vigente no Brasil é assegurado pela força estatal, devendo garantir o estabelecimento dos direitos à população com mais de 60 anos, como dignidade e qualidade de vida. Porém, tal prática não vem sido observada na realidade nacional, visto que, atualmente, um grande número de idosos sofre com fatores como a falta de segurança financeira decorrente de reformas tributárias, além da inobservância estatal representada na escassez de ações de inclusão social e lazer. Dessa forma, evidencia-se o descumprimento da lei pelo governo, a partir da indiferença destrutiva que reserva aos idosos.

Em segunda análise, é notável a marginalização social sofrida pelo grupo da terceira idade em meio à sociedade. Nesse sentido, é perpetuado socialmente a noção de “velho” como algo ofensivo ou descartável. Esse paradigma é exposto pelo conto “O Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa, no qual um burro de carga, mesmo sendo ridicularizado por quem o cercava por conta de sua idade, é o responsável por salvar a vida de seus companheiros a partir de sua sabedoria e experiência. Dessa mesma maneira, fora da ficção, parte da população ignora as qualidades provenientes do envelhecimento, a discriminando de forma inconsequente.

Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de uma intervenção que busque amenizar a desvalorização do idoso na contemporaneidade. Assim, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve por em prática o que defende o Estatuto do Idoso, a partir da criação de um fundo monetário reservado ao objetivo de empregar políticas de defesa da dignidade, segurança e inclusão na terceira idade e, desse modo, provocar a melhora das condições fundamentais à vida dos idosos. Além disso, o Ministério supracitado também deverá criar campanhas que desestimulem a discriminação do grupo da terceira idade, para assim facilitar a transição demográfica que a sociedade enfrenta e a vida dos mais velhos.