ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 19/09/2020

No ano de 2020, em meio à pandemia do covid-19 e crise política brasileira, o famoso ator da emissora TV Globo, Flávio Migliaccio, de 85 anos, cometeu suicídio e deixou uma carta que dizia: “A velhice nesse país é um caos, como tudo aqui.” Esse triste acontecimento evidencia a falta de valorização do idoso no Brasil atual e suas graves consequências.

A priori, cabe observar como o capitalismo favorece a desvalorização do idoso. Nesse sentido, tendo em vista que tal sistema econômico é sustentado por uma incessante lógica de produção e consumo, indivíduos os quais não contribuem de maneira ativa para a manutenção desse meio produtivo, tal qual população mais velha, composta majoritariamente por aposentados, sem grandes demandas de compras, são tidos por desimportantes. Tal desvalorização fica nítida nas posturas adotadas pelo presidente Bolsonaro ao defender o fim do isolamento social, durante a pandemia do coronavírus, alegando friamente que faz parte idosos morrerem, pois a economia não pode parar. Assim, fica evidente uma inversão de valores e o descaso com a população idosa.

Outrossim, pode-se observar como a falta de empatia social contribui para a desvalorização do idoso. Nessa direção, no mundo moderno, em que o imediatismo e individualismo imperam, a impaciência dos mais jovens, durante o convívio, com os mais velhos é tristemente recorrente. Esse tipo de relação acaba impedindo trocas enriquecedoras de conhecimento e carinho entre as gerações. Com isso, infelizmente, idosos tendem a ser excluídos do convivência coletiva e desenvolver distúrbios psicológicos, tal qual a depressão, desencadeados pelo sentimento de solidão e inutilidade. Nessa sentido, fica claro como o egoísmo da coletividade prejudica todas as idades, mas sobretudo os mais velhos.

Percebe-se, portanto, que o sistema capitalista e a falta de empatia social contribuem para a desvalorização do idoso no Brasil. Visando atenuar tal problemática e incentivar um maior convívio com os mais velhos, ONGs humanitárias, como o “Instituto vivendo”, podem lançar propagandas em TV aberta, no horário nobre, com o uso de linguagem fácil e apelativa. Essas mídias devem evidenciar os benefícios da troca de experiências e afetos entre gerações e alertar sobre os perigos das patologias psíquicas as quais podem ser desenvolvidas pelos seniores quando há um sentimento de descaso e abandono. Dessa maneira, é esperado uma maior valorização dos idosos, a fim de tragédias como a do ator Flávio Migliaccio não tornem a acontecer no país.