ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 04/10/2020

Devido aos avanços na medicina, a expectativa de vida só tende a aumentar ao longo do tempo. No Brasil, o número de idosos já é alto e com tendência a crescer nos próximos anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, no que diz respeito ao bem-estar, o país não tem acompanhado o crescimento da terceira idade. Nesse cenário, torna-se necessário analisar como a participação do governo e da sociedade contribuem para a problemática.

Primeiramente, é imperativo ressaltar a omissão estatal como um fator que corrobora a desvalorização da classe idosa. Isso ocorre pois, ainda que haja o Estatuto do Idoso, conjunto de normas que estabelece os direitos dos cidadãos de terceira idade, o governo não assegura a efetivação desses direitos ao tolerar diversas transgressões, devido, principalmente, à ausência de vigilância pública nos meios urbanos, o que faz com que muitos infratores saiam impunes. Consequentemente, o Estado não estará cumprindo o seu papel de garantir o bem-estar social.

Ademais, a mentalidade coletiva vigente intensifica esse fenômeno. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a velhice não deveria ser entendida como doença, pois não é algo contrário à natureza. Porém, essa é uma visão totalmente difusa da realidade apresentada atualmente no país, visto que o pensamento que ainda vigora no segmento social brasileiro é de que os idosos são menos enérgicos e possuem maior dificuldade em aprender que os jovens, resultando, por exemplo, no preconceito e até na exclusão dos mesmos frente ao mercado de trabalho.

Portanto, denota-se que o descaso com a população idosa constitui um sério desafio para o país e precisa ser combatido. Diante disso, o Ministério da Justiça deve ampliar a garantia dos direitos individuais da população de terceira idade, por meio do aumento da vigilância pública nos setores urbanos, aplicando rigorosamente as leis e suas devidas punições aos transgressores. Além disso, os cidadãos, por meio de passeatas e movimentos urbanos, devem se conscientizar uns aos outros acerca do papel e da importância da classe mais experiente na sociedade, a fim de que haja uma concordância com o pensamento de Aristóteles e o idoso possa ser valorizado na contemporaneidade.