ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 07/10/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de nunca ter de esclarecer os legados das misérias humanas para ninguém. Analogamente, o individualismo e a negligencia governamental enquadram-se no posicionamento do personagem, uma vez que constituem desafios da humanidade a serem superados para mitigar a desvalorização do idoso. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem estar coletivo.

A princípio, a incompreensão das necessidades dos idosos, a falta de empatia para se colocar no lugar deles provocam casos de discriminação, uma vez que, a sociedade já os condenam como inúteis. Isso pode ser explicado pelo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na qual defende que o brasileiro é, desde a colonização, marcado por um individualismo exacerbado o que explica a fluidez dos valores, com a finalidade de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o sujeito acaba por perpetuar desprezo pela terceira idade, por causa da redução do olhar sobre os mais velhos. Consequentemente, o atual cenário de desvalorização dos idosos, mantém-se presente no país, demonstrando a imprescindibilidade de políticas públicas que contenham a problemática.

Outrossim, o descaso do governo é outro causador do problema. Nesse sentido, o filosofo Jean-Jacques Rousseau, em sua teoria do contrato social, afirmou que é necessário um poder político legitimo, efetivamente comprometido com o bem-estar social. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato no que concerne a valorização do idoso, visto que há uma reduzida atuação do Estado em busca de assegurar os direitos básico dos idosos, que o torna, tristemente, um ambiente segregacionista. Assim, é notória a ineficácia estatal, por exemplo no que se refere a infraestrutura de órgãos e transportes públicos, em que não existe um devido aparato para esse estágio da vida, o que, além de evidenciar o dilema discutido por Brás cuba, vai de encontro ao Contrato Social.

Portanto, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento das discriminações sofridas pelos idosos, com o propósito de despertar a sensibilidade e desconstruir os estigmas sociais de que eles são inválidos. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, com o objetivo de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente na sociedade. Dessa forma, o Brasil tornar-se-á mais inclusivo, aproximando-se do bem estar social e de um legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.