ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 04/11/2020
A cultura latina e mediterrânea é caracterizada pelo coletivismo, em virtude da inserção dos idosos na sociedade ao considerá-los indivíduos de grande importância devido à sabedoria adquirida ao decorrer de sua trajetória. Por isso, os anciões possuem, nesse contexto, um significativo papel ao auxiliar a formação juvenil com base nos seus conhecimentos. Em contraste, a cultura nacional é marcada por uma constante desvalorização para com a terceira idade, ao priorizar o individualismo e a juventude. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar dois entraves acerca do óbice social apresentado: o abandono familiar e a falta de apoio estatal à garantia dos direitos já concedidos ao grupo social.
Em primeira análise, é necessário salientar a falta de participação e apoio familiar aos indivíduo que detém 60 anos ou mais. Em vista disso, segundo Feijó e Medeiros - precursoras do artigo “A sociedade histórica dos velhos e a conquista de direitos de cidadania - é indubitável a presença dos diversos tipos de violências sofridas pelos idosos, as quais podem ser físicas ou psicológicas, praticadas tanto pela sociedade como pela família, além do recorrente abandono em instituições como asilos. Sendo assim, a terceira idade é fadada ao isolamento. Ademais, em razão do contexto inserido, marcado pela constante desvalorização ao grupo social, a depressão atinge cerca de 10% dos anciões brasileiros, de acordo com o IBGE. Assim, é inquestionável que a falta de apoio familiar inviabiliza a possibilidade de participação social dos idosos, além de impossibilitar o envelhecimento seguro e digno.
Outrossim, a reduzida assistência estatal à garantia das políticas de proteção aos idosos é, da mesma forma, um obstáculo à valorização da terceira idade. Haja vista que apesar da aprovação do Plano Internacional para o Envelhecimento, conduzido pela ONU em 2002, o qual tem como objetivo assegurar o envelhecimento seguro e digno para toda população do mundo, cerca de 65,2% das Instituições de longa permanência de idosos são filantrópicas, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, sendo assim, carecem de apoio governamental. Dessa forma, mesmo com a presença de políticas com finalidade de firmar os direitos dos idosos, não há execução do instituído.
Tendo em vista os aspectos observados, é inquestionável a desvalorização do idoso no Brasil. Por isso, a Família - instituição responsável pela formação juvenil - unida à sociedade civil organizada deve assegurar a participação da terceira idade no contexto social ao amparar as campanhas oficiais de estímulo à garantia do bem estar e dignidade desse grupo social, para promover um envelhecimento seguro à toda população. Para mais, os Conselhos Nacionais junto ao Ministério da Saúde devem possibilitar a manutenção do direito dos anciões ao capacitar profissionais para atender as necessidades dos idosos para assim evitar tratamento desumano, violento e constrangedor.