ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 05/11/2020

Para povos indígenas e africanos, durante diversos séculos a velhice foi considerada símbolo de sabedoria, uma vez que, por ser mais velha, com mais anos de vivência, teria adquirido muito mais conhecimento da vida. Porém, atualmente, esse papel foi invertido e as pessoas idosas passaram a serem negligenciadas no contexto da sociedade atual que valoriza aqueles que podem produzir. Nesse viés, ainda que a população idosa tenha tendência à crescer - OMS estima 2 bilhões de pessoas acima dos 60 anos pra 2050 -, a falta de atendimento básico social acaba se tornando escassa para essa faixa etária. Dessa forma, essa é uma questão social contemporânea que contrapõe, diretamente, o aumento de violência contra o idoso e a falta de assistência governamental.

Em primeiro plano, é necessário validar que, no Brasil, os idosos são alvos de grandes descasos e maus tratos. Por analogia, em 2018, segundo o Disque 100, são registrados por volta de 102 casos de violência contra o idoso por dia, fazendo o número de denúncias ultrapassarem 37 mil. Além disso, a falta de estrutura familiar e instabilidade faz com que muitas famílias recorram ao abandono, os deixando sob os cuidados de ILPIS, o que tende a crescer os índices de depressão na velhice pela falta de afetividade. Sendo assim, este quadro evidência o descuidado com a saúde, tanto física quanto mental, dessas pessoas.

Ademais, a pouca assessoria do governo para a qualidade de vida das pessoas na velhice tem regredido. À vista disso, os cidadãos de terceira idade tem vivido de forma insegura financeiramente com a desvalorização das aposentadorias e pensões, sem contar com falta de assistência médica, que exerce um papel fundamental para a vivência dessa classe. Outrossim, a reforma da previdência, ocorrida em 2019, expressa que a idade mínima para receber o benefício integral é de 70 anos à idosos sem meios de sustento. Consequentemente, é explícito que o pouco auxílio ao idoso tem diminuído cada vez mais, uma vez que estes são apontados como provocadores da crise econômica.

Em vista dos fatos apresentados, é perceptível a desvalorização em relação aos viventes de terceira idade, ainda que acrescentem muito à formação social e econômica de um povo. Portando, no Brasil, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República devem reforçar o Estatuto do idoso, afim de reivindicar os direitos dos anciões. Destarte, o Programa Viver - Envelhecimento Ativo e Saudável, que buscar a inclusão nos meios sociais e digitais da pessoa idosa também deve ser compartilhada nos municípios, por meio de participações coletivas nas ruas, pretendendo melhorar a qualidade vida dessa classe. Assim, talvez, as ações mencionadas possam melhorar as condições e tratamentos dos idosos, tornando-os, novamente, admirados e sábios.