ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 16/11/2020
O advento das grandes guerras mundiais levou os médicos a uma situação particularmente propícia á inovação, e com isso, o aumento da expectativa de vida tem sido registrado no mundo todo. No entanto, no que diz respeito ao bem-estar, o Brasil não tem acompanhado o crescimento da terceira idade, que de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve ultrapassar a população jovem de 29 anos até o ano de 2055. Nesse sentido, é importante analisar a negligência do poder público, bem como, a hierarquização cultural como principais barreiras que impedem a valorização efetiva do idoso.
Em primeira análise, é importante enfatizar que o artigo 230 da Constituição cidadã garante amparo ao idoso a partir de ações conjuntas entre a sociedade e o Estado. No entanto, tal prerrogativa legal não é efetivada com ênfase na prática, tendo em vista que, o envelhecimento pode acarretar vários desafios e dificuldades, como por exemplo, hospitalização e morbimortalidade e com isso, a falta de infraestrutura nos espaços, assim como os problemas na Previdência, acentua ainda mais esse quadro, sendo necessário a criação de políticas públicas eficazes para efetivar o direito dos anciãos.
É importante mencionar ainda, que a hierarquização da sociedade também é fator contribuinte para a disseminação da problemática. Dessa forma, a terceira idade, muitas vezes, sofre discriminação por parte dos mais jovens e embora, nem sempre, seja demonstrado explicitamente, o idoso é tratado como “peso morto” pela sociedade, pois podem apresentar limitações físicas e psicológicas. A partir disso, o preconceito vivenciado por eles evidencia o conceito de determinismo biológico, difundido no século XIX, em que se defende a predeterminação da função social do indivíduo a partir de suas características biológicas.
Fica claro, portanto, que a exclusão social dos idosos é uma questão evidente e deve ser combatida. Para maximizar a valorização da terceira idade, urge, que o Governo Federal em parceria com os governos estaduais crie, por meio de verbas públicas, centros médicos públicos com especialidades exclusivas voltadas para a saúde do idoso, como por exemplo: geriatras, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros e cuidadores, além disso, o Ministério da Fazenda deve promover mudanças na Previdência Social, a fim de aumentar o poder aquisitivo destes. Por fim, as escolas e a mídia, também, devem ser responsáveis por difundir valores positivos em relação aos idosos, mostrando que, em vez de ultrapassados, eles possuem muita sabedoria e experiência para serem compartilhadas. Com isso, será possível acompanhar o crescimento populacional, promover o bem estar dos mais velhos e consequentemente o avanço social.