ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 17/12/2020
O Estatuto do Idoso, criado em 2003, garante proteção, integridade e a efetiva valorização das pessoas idosas. Entretanto, mesmo com essas garantias essa população sofre com o menosprezo, violência e insegurança. Sob essa ótica, a falta de inclusão, bem como os maus tratos que os mais velhos recebem, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.
É primordial elencar, inicialmente, a inoperância estatal com políticas públicas que incluam os idosos. De acordo com Karl Mark, há uma coisificação do indivíduo na sociedade moderna. Nesse viés, percebe-se que o ser humano é valorizado no momento que pode retribuir financeiramente e é produtivo, quando não é mais será descartado. De maneira análoga, acontece com as pessoas de idade avançada, que não são incluídas de forma harmônica no convívio social por serem considerados ultrapassados. Por conseguinte, surgem problemas como isolamento, abandono e depressão, mesmo com tantas experiências para serem compartilhadas e ensinadas os idosos são tratados como improdutivos.
Ademais, outro fator que corrobora com a agravante crise é a falta de paciência, em consonância com atos de fúria dos jovens para com aqueles que tanto fizeram pelo país. Tendo em vista que o número de violência física, psicológica e abuso financeiro têm crescido de forma exponencial. Desse modo, os idosos passam por um momento difícil, e esperam a compreensão dos mais novos, pois o ritmo não é mais o mesmo, mas a união de gerações e o aprendizado em conviver com pessoas diferentes demonstra maturidade, algo que precisa melhorar no Brasil. Como retratava Cecília Meireles, no seu poema “Retrato”, que o maior medo de envelhecer é a insegurança em olhar para o espelho e perceber que não é mais a mesma fisicamente e não sabe como será tratada.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que o Estatuto do Idoso seja cumprido na prática. Em vista disso, cabe ao governo, juntamente com as escolas, investir em projetos de inclusão do idoso, como palestras e debates ministradas pelas pessoas que podem ensinar com as suas experiências de vida, a fim de enaltecer e valorizar àqueles que tanto fizeram pelo tecido social. Por fim, faz-se necessário que o Poder Judiciário e as delegacias, punam não só de forma coercitiva àqueles que agirem de forma ilegal, não respeitando os direitos constitucionais dos mais velhos, mas também educativa, com trabalhos voluntários em casas de abandono, com o objetivo de mostrar a importância de valorizar os idosos. Assim, a geração futura não terá os mesmos problemas que a atual.