ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 11/01/2021
Com o aumento da expectativa de vida, decorrente do avanço da ciência e da melhoria das condições de vida da população, o Brasil está com sua pirâmide etária em transição para se tornar um “país de idosos”. No entanto, diante do cenário de falta de zelo por parte do governo e da família em relação a esse grupo social, a qualidade de vida e a dignidade não têm acompanhado o progresso do gráfico. Desse modo, faz-se necessária uma ação conjunta dos setores sociais para solucionar essa situação.
Em primeiro lugar, é preciso compreender a falha governamental. Isso porque o Estatuto do Idoso prevê o Estado com uma das instituições responsáveis pela garantia de qualidade de vida ao idoso. Todavia, na prática, observa-se, muitas vezes, o descaso do governo em relação a essa parcela da população. Quadro esse que pode ser evidenciado com os relatos de priorização para o atendimento dos mais jovens em leitos hospitalares públicos e com a carência de locais de lazer e interação específicos para esse grupo.
Outrossim, vale salientar o erro da família como outro fator que contribui para o prejuízo do envelhecimento com qualidade. Para isso, vale mencionar a filósofa alemã Hannah Arendt, a qual propõe o mais grave mal ser aquele visto como algo comum, presente no dia-a-dia das pessoas. Nesse sentido, observa-se que se encaixam como alguns dos mais graves males os frequentes casos, em relação aos idosos, de violência doméstica e de abandono, sem a visita constante para a atenção sobre possíveis doenças e o cuidado da saúde mental. Dessa forma, é necessária uma mudança de postura social.
Portando, em frente ao âmbito de não valorização dos idosos, medidas interventivas são essenciais. Dessa maneira, cabe aos poderes executivos municipais, em parceria com o governo federal para uma maior arrecadação de verbas, instituir projetos de recreação para os idosos nos finais de semana, mediante a locação de salões e contratação de profissionais capacitados, com atividades de interação, músicas e exercícios, a fim de estimular a qualidade de vida desse grupo social. Ademais, a mídia deve estimular o zelo e a empatia familiar em relação aos idosos, por meio de campanhas e propagandas, com intuito de reverter o quadro de abandono de idosos. Assim, o Brasil envelhecerá de forma realmente digna.