ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso

Enviada em 29/05/2021

Segundo Mario Sérgio Cortella, professor e filósofo brasileiro, aquilo que é velho se difere do que é antigo, sendo o velho inútil e o antigo útil e eficaz. Essa afirmativa amplia o conceito de idoso, trazendo a ideia de proveitoso aos longevos, já que eles têm uma quantidade de ensinamentos que devem ser valorizados pela juventude. Desse modo, fica claro que os maduros devem ser valorizados e não abandonados pela sociedade, por uma falta de calma e empatia com eles.

Nas tribos indígenas, o Pajé - membro mais antigo - tem autoridade e respeito com todos da vila, de modo que quando o mesmo fala todos prestam atenção e aprendem conhecimentos úteis da antiguidade. Esse comportamento das aldeias não é visto nas casas brasileiras, já que a para a nova geração - parafraseando o sociólogo Bauman em sua obra “Modernidade Líquida” - tudo é razo e efêmero, e falta calma com os maduros que são pacientes e constantes. Estes, pela falta de empatia de seus sucessores, acabam abandonados em asilos.

De modo análogo, por questão de mau costume cultural, a maioria dos brasileiros não enxergam o nível de aprendizagem que teria com a velha guarda. Assim, a obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago - em que as pessoas ficam cegas por não se importarem com o problema do próximo e só voltam a enxergar quando entendem e se solidarizam com os problemas alheios - faz uma analogia com parcela mais jovem da sociedade que não se importa com a solidão dos longevos, e só voltarão a enxergar quando entenderem que serão idosos - e devem aprender a serem calmos e estáveis, deixando de lado a rapidez da contemporaneidade - e a dificuldade do outro, é, na verdade, a sua própria dificuldade.

Em vista disso, o Poder Executivo em parceria com a mídia, deve por meio de propagandas televisivas e audíveis, as quais são responsáveis pela disseminação de informação e conteúdo para todos , criar propagandas de incentivo ao aprendizado com os longevos e divulgar culturas como a indígena, que tem como principal representante o homem de maior idade, para que os idosos sejam respeitados e não fiquem abandonados em asilos. Assim, as famílias brasileiras terão maior empatia e saberão a importância de ter alguém antigo em casa, que ensinar-lhes-ão a sabedoria e experiência da maturidade e se mostrarão antigo e não velho e inútil.