ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 16/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a falta de valorização do idoso torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da negligência estatal e do silenciamento midiático.
Em primeiro lugar, vale ressaltar a ausência de compromisso do Estado com os idosos. De certo, a falta de incentivos na área da saúde e na qualidade dos serviços oferecidos, tal como (serviços de saúde, auxílio a medicamentos e áreas para exercícios aos idosos é a realidade enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que negligencia a valorização ao idoso, submetendo-os à periferia da cidadania.
Outrossim, a omissão dos meios de comunicação ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Por essa ótica, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre o ínfimo auxílio dado aos idosos, influencia na consolidação do problema, cuja base é o silenciamento midiático de uma situação a qual está tão presente na sociedade e que precisa cessar.
Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com mídias de grande acesso, divulgue mais intensamente os canais online de consulta pública. Tais divulgações podem ocorrer por meio da criação de propagandas e vídeos a serem circulados nas redes sociais. Além disso, tais agentes devem divulgar as publicações no Instagram, através de “hashtags”, a fim de que mais pessoas compreendam a importância do idoso, para que a sociedade se torne atuante na busca de resoluções. Assim a proposição de Foucalt se tornará menos aplicável à realidade do Brasil atual.