ENEM 2009 (Prova cancelada) - Valorização do Idoso
Enviada em 24/10/2022
No drama sul-coreano “Business proposal”, evidencia-se a relação respeitosa entre a jovem Shin Ha-ri e o avô de seu namorado, Kang Da-goo. Fora da ficção, entretanto, nota-se que a população idosa não é devidamente valorizada no Brasil hodierno. Nesse panorama, a negligência estatal e o estigma social despontam como força motriz de tal mazela.
Inicialmente, cumpre ressaltar que a incúria governamental constitui um pilar desse óbice. Sob esse viés, é fulcral reportar à obra “O cidadão de papel”, do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, a qual aborda a discrepância das garantias teóricas dos cidadãos tupiniquins, presentes nos textos jurídicos oficiais, e sua aplicação prática. Nesse sentido, o contraste entre o fato de o Estado assegurar aos indivíduos de terceira idade o acesso a lazer, trabalho, saúde e outros tantos direitos previstos no Estatuto do Idoso, porém direcionar escassos investimentos a tais setores, comprova a falta de aplicabilidade das leis em território nacional. Assim, esses habitantes têm suas cidadanias cerceadas.
Outrossim, vale salientar que o preconceito coletivo agrava o flagelo em questão. Sob esse prisma, é notório que esse desprestígio advém da percepção equivocada de que sujeitos de idade avançada são incapazes de realizar atividades produtivas ao corpo social, fator que fomenta atitudes desrespeitosas. Nesse aspecto, convém mencionar o conto “Feliz aniversário”, da escritora ucraniana Clarice Lispector, que retrata a solidão e o desamparo da personagem Anita, de 89 anos, a qual é tratada de forma superficial até mesmo por seus familiares. Logo, a marginalização desses entes é acentuada.
Depreende-se, portanto, que a omissão do Estado e a disseminação de estereótipos engendram o impasse. Urge, então, que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - órgão encarregado da defesa de grupos minoritários - promova o engrandecimento da Política Nacional do Idoso, por intermédio da utilização de verbas federais, a fim de propiciar a plena autonomia e integração social da pessoa idosa, bem como seu usufruto das garantias constitucionais. Ademais, é mister a difusão de campanhas de valorização dos anciãos pela Mídia. Dessarte, suavizar-se-á esse imbróglio no país.