ENEM 2009 - Qual o efeito em nós do "Eles são todos corruptos?"

Enviada em 30/08/2019

Debates acerca da corrupção do governo se tornaram frequentes na sociedade vigente, este fato está diretamente relacionado com a exposição pública dessas práticas. Aliás, o uso indevido do dinheiro público é recorrente desde o início da república, em que os governantes compravam a produção excedente do café com intuito de controlar o preço desse insumo e favorecer os cafeicultores, aliados do governo. No entanto, com a atuação da mídia e maior participação da população, essa prática passou a ser arduamente descriminada. Portanto, para combatê-la, é importante pontuar o papel da sociedade e do maquinário governamental como pilares dessa problemática.

Mormente, deve-se ressaltar a incoerência na popular afirmativa: ‘’eles são corruptos’’ , aliás essas pessoas antes de serem políticos, eram cidadãos. Por isso, facilmente infere-se que não existe uma população honesta com um governo corrupto. Nesse sentido, a fim de tornar-se um indivíduo mais justo e honesto, as pessoas podem fazer uso da ética de Immanuel Kant. Para o filósofo, antes de agir, cada um deve refletir se essa ação poderia ser realizada por todas as pessoas do mundo, caso a resposta seja negativa, é preciso repensar a atitude, por exemplo, imagina se todas as pessoas do mundo roubassem, seria o fim da sociedade, logo, não roube.

Em segundo lugar, faz-se necessário colocar em pauta o sistema político brasileiro e os mecanismos de corrupção. Assim, ao conhecer a máquina política, é possível agir com eficácia no combate ao furto do dinheiro público a fim de evitar um colapso do Estado e preservar o país para as gerações mais éticas que certamente estão por vir. Segundo o filósofo Hans Jonas, a base de uma sociedade está no fato de, uma vez esta sendo sustentável, construir seus fundamentos pensando nas gerações futuras. Se isto não ocorre, alguns aspectos precisam ser revistos.

Portanto, urge a mobilização da população com escopo de pressionar o governo a tomar atitudes que mitiguem os malefícios da falta de ética para o Estado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação criar uma disciplina que aborde a importância da moral e da ética, além de estimular os professores a crucificarem atitudes antiéticas, por meio da valorização da honestidade nos cursos de formação desses profissionais. Além disso, impende ao Governo Federal emancipar investigações policiais acerca de ‘’crimes de colarinho branco’’, por meio da criação de um fundo monetário fixo, corrigido de acordo com a inflação, que dê liberdade para o trabalho dos policiais na contenção desses crimes. Dessa forma, atenuar-se-á a médio e longo prazo, os impactos nocivos da corrupção na sociedade brasileira.