ENEM 2009 - Qual o efeito em nós do "Eles são todos corruptos?"
Enviada em 30/01/2022
A capacidade de democracia em promover o bem-estar coletivo decorre da existência de uma estrutura estatal composta por funcionários éticos e comprometidos com a supremacia do interesse público. Entretanto, no Brasil, são constantes casos de corrupção, em que agentes públicos exorbitam de suas funções e desvirtuam o bem público. Tal contexto resulta, especialmente, da baixa participação da população nos debates públicos devido à apatia individual frente aos problemas sociais. Assim, aponta-se que o indivíduo deve apropriar-se de sua responsabilização social com vista a exercer o controle das instituições públicas para combater a corrupção.
Inicialmente, pontua-se que o fortalecimento dos regimes democráticos é fator condicionante para a promoção do desenvolvimento nacional pautado no respeito aos direitos humanos. Destarte, é indispensável a existência de instituições públicas fortes que consigam prover os recursos necessários para a coletividade. No que concerce ao Brasil, percebe-se uma corrupção sistêmica, na qual há alto índice de governantes e funcionários corruptos. Segundo o índice Global de Percepção de Corrupção, que calcula o nível em que a corrupção no setor público é percebida no país, o Brasil ocupa a posição 94º entre os países mais corruptos do mundo. Consequentemente, conforme apontado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, há o enfraquecimento da democracia, a qual é marcada instituições líquidas e frágeis, incapazes de entregar serviços públicos eficazes para o bem-estar digno da população.
Nesse viés, argumenta-se que o baixo comprometimento do indivíduo com a política corresponde a uma das causas da corrupção, na medida em que a falta de controle social permite que agentes corruptos ajam com liberdade nas suas condutas ilegais. Ressalta-se que a irresponsabilidade coletiva torna as pessoas apáticas em relação às questões sociais devido à significativa individualização da vida moderna, pois os indivíduos priorizam os seus próprios interesses em detrimento das valores de solidariedade. Além disso, é possível contextualizar a corrupção com o conceito de banalidade do mal trabalhado por Hannah Arendt, em que os políticos agem de forma indevida sem refletir sobre as consequências de seus atos, gerando, assim, o distanciamento com o bem-coletivo.
Dessa forma, para que haja maior comprometimento social frente à coisa pública, é essencial que o Estado, por meio do Ministério da Educação, crie uma disciplina específica relacionada à cidadania e democracia nas escolas, com vista a fomentar, precocemente, a consciência no sujeito de que a participação política é fator primordial para a promoção de mudanças sociais. Ademais, o Estado deve priorizar a melhoria dos meios de controle social para que os cidadãos tenham um canal efetivo para acompanhar o direcionamento dos gastos públicos e, assim, combater a corrupção nacional.