ENEM 2009 - Qual o efeito em nós do "Eles são todos corruptos?"

Enviada em 09/12/2022

Segundo o filósofo José Antônio Martins, em sociedades que esquecem a esfera pública, o terreno já está preparado para a proliferação de casos de corrupção. Desse modo, cada indivíduo que não assume o seu papel como cidadão ativo, crítico e participativo está, em certo sentido, contribuindo com a anomia social.

Assim, defende-se que o efeito do “eles são todos corruptos” é maléfico, pois transforma o sujeito que age desse modo em um idiota, termo cunhado por Aristóteles para todo aquele que não participava ativamente da política.

Nesse sentido, uma típica característica humana é conseguir ver os erros, defeitos e desvios no comportamento do outro, todavia ser incapaz de reconhecer suas próprias iniquidades. Assim sendo, por exemplo, afirma-se que os políticos são desonestos, entretanto esse mesmo ser, se comete uma infração de trânsito e é flagrado pela autoridade policial, tenta apelar para o “jeitinho”, sem que a consciência lhe sinalize a vileza de tal proceder. Por conseguinte, é bastante fácil acusar os políticos e as instituições, mas vive-se em uma democracia participativa, por isso é preciso agir ativamente, cobrar as autoridades, fiscalizar.

Outrossim, no conto “O medalhão”, Machado de Assis apresenta uma personagem que afirma: “Antes das leis, reformemos os costumes”. No entanto, essa frase era usada apenas como um mero efeito de estilo, logo não visava a uma verdadeira transformação da mentalidade social. Em suma, seria algo apenas para manter a aparência e a superficialidade da sociedade. Isto posto, como não se quer ter o trabalho de participar e fiscalizar, acaba-se vivendo em uma sociedade de idiotas, como censurado por Aristóteles. Então, essa falta de comprometimento com as coisas da política deixam as portas abertas para todo tipo de indignidade.

Portanto, urge que o Ministério da Educação crie uma disciplina de educação política desde os primeiros anos do ensino fundamental. Para isso, devem ser contratados filósofos que vão atuar em todos os níveis de ensino até formar verdadeiros cidadãos. Essa disciplina não terá cunho partidário, mas educativo e formador de consciência social. Tal formação será feita por meio de palestras e seminários temáticos de ética e lógica. Espera-se, assim, desenvolver indivíduos engajados politicamente, como sonhou Aristóteles, e avessos à corrupção.