ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 10/09/2019

No contexto da sociedade românica antiga, o trabalho era visto com maus olhos: possuir afazeres diários significava ser escravo. No Brasil atual, porém, a busca por um ofício é sinônimo de procura por dignidade que, muitas vezes, é alcançada - exceto em casos em que as relações de patrão e empregado assemelham-se à escravidão vista no período antigo. Nesse sentido evidencia-se a necessidade  de apoio governamental para a dissolução dessa conjuntura.

A princípio, é importante destacar o quadro persistente de relações trabalhistas desarmônicas. A esse respeito, vale ressaltar os acontecimentos, registrados pela história, da primeira Revolução Industrial; na qual os trabalhadores não possuíam direitos que regulamentassem sua jornada diária ou sua remuneração. Outrossim, o Brasil atual ainda é acometido por resquícios desse episódio histórico, em que muitos trabalhadores se submetem a condições desumanas por salários extremamente baixos.

Ademais, é mister salientar a atual negligência governamental acerca do assunto. Apesar de o ex-presidente Getúlio Vargas ter elaborado leis trabalhistas consistentes para o meio urbano, a parcela rural da nossa população ainda sofre com a falta de representatividade sindical; acentuando o processo de “escravização moderna”. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ainda existem cerca de 200 mil trabalhadores no país vivendo  em regime de escravidão. Tais dados revelam a clara fragilidade das atuais políticas públicas acerca do problema.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de resolver a inercial problemática. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério do Trabalho reforce as atuais leis trabalhistas, por meio da revogação total ou parcial das atuais, mediante reprodução em novo texto. Tal ação visa a promover melhores relações entre patrão e empregado, para que a dignidade humana possa estar mais próximo de ser conquistada.