ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 11/09/2019

O antigo ditado popular, “o trabalho dignifica o homem”, não poderia ser mais atual. Construir a dignidade humana através de um bom emprego não é tarefa simples nos dias atuais, visto que as exigências do mercado estão altas. Na busca por oportunidades, a falta de formação e instrução pode levar trabalhadores para os subempregos, ou até mesmo para situações de escravidão. Nesse contexto, a cidadania plena e a dignidade se tornam objetivos quase impossíveis para diversos brasileiros.

Em um Estado Democrático de Direito os preceitos do direito à vida, à liberdade e a igualdade deveriam ser prioridade. No Brasil, boa parte das pessoas das classes sociais menos favorecidas exerce função em subempregos, como diarista e catador de latinhas, que por vezes não garantem os direitos básicos tanto humanos, quanto civis. Em pleno século XXI são revelados casos de escravidão contemporânea, como denunciado na fazenda do presidente da ALERJ, Jorge Picciani, em que trabalhadores eram mantidos contra a vontade em trabalhos que mais endividavam do que alimentavam suas famílias.

Em adição, com os avanços tecnológicos, é inegável o número de novas oportunidades e mercados. No entanto, estes avanços requerem profissionais capacitados para desempenhar funções avançadas, como a de programadores em “Start Ups”, o que acaba por limitar o número de pessoas que concorrem a essas vagas. Este tipo de segregação agrava a situação das pessoas que necessitam de ajuda do Estado para se capacitarem, visto que este não dá condições básicas de educação e estrutura para uma formação competitiva.

É mister entender que a dignidade humana está diretamente ligada ao trabalho. Por isso, o governo precisa atuar em duas frentes. A primeira, a curto prazo, seria a contratação, por parte do Ministério do Trabalho, de mais fiscais do trabalho, que atuariam na fiscalização in loco das condições de trabalho nas empresas. A segunda, a longo prazo, seria a destinação de mais recursos a educação, por parte do Poder Executivo e Legislativo, diminuindo sua despesa com a máquina estatal e aplicando esse capital na construção de escolas e universidades de qualidade que tenham por objetivo formar profissionais capacitados para o mercado moderno. Este seria o início da jornada na busca pela igualdade de oportunidades para todos os brasileiros.