ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 19/10/2019

Durante o Período Colonial, a escravidão era parte natural do sistema, de maneira constante, associava serviço com sofrimento. No século XXI, dentro do contexto capitalista, o ditado popular é de que o trabalho dignifica o homem, porém, ainda existem inúmeros focos de condições degradantes de emprego. Sob tal ótica, o trabalho na construção da dignidade humana, tanto por uma falha política, quanto social.

Conforme Aristóteles, a política serve para promover a felicidade dos cidadãos, por essa visão a conjuntura política atual falha com a população, já que em diversos pontos do mundo se conservam condições análogas à escravidão. Mesmo com previsões de um tipo de trabalho flexível, que exalta a qualidade de vida, o cuidado com a natureza e a individualidade da felicidade, essa não é a realidade da maior parte dos países em desenvolvimento. Dessa maneira, o fator encarregado por edificar a virtude do homem, a destrói com medidas sem efetividade no combate ao cerceamento da liberdade.

Além disso, de acordo com Durkheim, um fato da sociedade é a coercitividade, ou seja, uma pressão, externa ao indivíduo, para seguir determinado padrão imposto pela sociedade. Nesse sentido, o padrão do trabalho hipervalorizado no capitalismo - por conseguinte, o lucro - é um impulsionador, a fim de um resultado financeiro, de situações desprezíveis de emprego, das quais trabalhadores apresentam grande dificuldade para se desligarem, em muitos casos, por ameaças de seus superiores. Logo, a manutenção do sucesso financeiro, como medida do valor de um indivíduo para a sociedade, gera uma busca por dinheiro sem limites.

Em suma, são necessárias medidas com o intuito de atenuar os impasses do trabalho na construção da dignidade humana. Nessa lógica, os Estados com maior incidência de trabalhos análogos à escravidão deveriam, aliados à Organização das Nações Unidas, formar grupos investigativos, referentes a denúncias de trabalhos degradantes, para quebrar a cadeia de exploração. Ainda mais, expor com maior intensidade essa questão no cenário mundial, na tentativa de transpor a ineficácia das medidas legais como único combate. Ademais, cabe ao cidadão acompanhar e exigir novas políticas, no esforço de quebrar o padrão e valorizar a dignidade humana. Enfim, a partir dessas ações, o presente poderá consolidar o ditado e o trabalho poderá dignificar o homem.