ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana
Enviada em 23/11/2020
Durante grande parte da história da humanidade, a realização do trabalho era vista de forma pejorativa. Como afirmado pelo filósofo grego Aristóteles, “os cidadãos não devem viver uma vida de negócios, pois esses tipos de vida são incompatíveis com as qualidades morais”. Porém, ao longo dos séculos, a adoção de uma profissão se tornou uma forma de se atingir ambições pessoais, possibilitando o alcance de melhores condições monetárias e sociais, e, por conseguinte, a dignificação do indivíduo. Contudo, tais benefícios encontram-se limitados a determinados contingentes populacionais, visto que há ainda trabalhadores em condições análogas à escravidão, em ambientes urbanos e rurais, decorrente, principalmente, da ausência de fiscalizações efetivas nesses âmbitos.
Em primeiro plano, é imprescindível salientar a displicência governamental histórica diante das relações de trabalho rurais. O ex-presidente Getúlio Vargas, símbolo do trabalhismo brasileiro, já afirmava que não cabia a ele alterar a “ordem divina” do campo. Nesse sentido, é possível afirmar que os governantes subsequentes adotaram postura semelhante, já que a não existência de fiscalizações trabalhistas governamentais eficazes no ambiente rural permanece nos dias de hoje, fortalecendo a ação de latifundiários escravistas.
Além disso, a exploração dos trabalhadores também atinge a conjuntura urbana. O avanço das tecnologias de comunicação possibilitou que empregados e empregadores permanecessem conectados a todo momento. Dessa forma, o ambiente de trabalho, assim como as exigências dos superiores, transgride as fronteiras físicas da sede empresarial e engloba as moradias dos trabalhadores. Nesse contexto, a constante pressão dos empregadores acarreta na sobrecarga dos empregados, impossibilitando-os de exercerem outras atividades além de suas obrigações profissionais, tendo assim suas liberdades cercadas.
Infere-se, portanto, que é de fundamental importância a intensificação das vigilâncias governamentais nos ambientes rurais e urbanos de trabalho. Logo, cabe à Secretaria do Trabalho criar uma subsecretaria, que será responsável pela identificação, através do uso de tecnologias de satélite, e fiscalização mensal dos latifúndios do pais, por meio de agentes governamentais, a fim de enfraquecer os sistemas de escravidão vigentes no campo. Além disso, também deverá disponibilizar um número para denúncia, para que trabalhadores, tanto urbanos ou rurais, possam denunciar condições indignas de trabalho. Só assim, será possível que o trabalho torne-se compatível com as qualidades morais, concretizando-se como uma ferramenta de dignificação do ser humano.