ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 08/11/2021

Para Karl Marx, o trabalho é a forma de o ser humano produzir os meios para a sua própria existência e, por isso, a finalidade do labor não seria o lucro ou a alienação do trabalhador acerca de sua produção. No entanto, com a expansão dos ideais capitalistas, compreendeu-se a possibilidade do acumulo de capital ilimitado por parte de uma pequena parcela da burguesia. Dessa forma, a dignidade humana está em segundo plano na realização do oficio, já que o bem-estar dos trabalhadores diminui as vantagens econômicas da classe dominante. Sendo assim, a realidade dos trabalhos precarizados e o desemprego estrutural precisam de intervenção imediata.

Primordialmente, o grupo de desalentados no Brasil cresceu de 1,46 milhões para 4,98 milhões entre os anos de 2014 e 2019, de acordo com o IBGE. Diante disso, observa-se o imenso contingente de pessoas que não conseguem garantir o mínimo para a subsistência, o que gera angústia, falta de perspectivas de vida e a desvalorização no ambiente social. Em contrapartida, nas sociedades pré-capitalistas, o camponês tinha acesso à terra, produzindo o necessário para a sobrevivência e realizando a troca dos produtos por outros que necessitasse. Assim, quando a terra é tirada do mesmo, o proletariado urbano depende do mercado e de vender sua força de trabalho a partir de uma remuneração incompatível, para alcançar alguma dignidade ou condição mínima de vida, essa que lhe é tirada nas crises cíclicas do sistema econômico.

Outrossim, a criação do termo precariado reflete a situação de ampla terceirização e precarização dos postos de trabalho. A flexibilização das leis trabalhistas, como promessa para maiores ofertas de empregos, na verdade realoca os desempregados para a informalidade. A exemplo disso, após a Reforma Trabalhista brasileira em 2017, a taxa de empregados informais têm subido e atingiu a marca de 40%, segundo o IBGE. Em adição, a recente popularização de aplicativos de corrida e entregas acentua o desamparo da classe trabalhadora, que sem condições de alcançar um trabalho estável e regido pelos seus direitos, submetem-se à jornadas exaustivas e desprotegidas pela lei. Sob essa ótica, apreende-se que a proteção dos direitos laborais é essencial em qualquer projeto de sociedade.

Em suma, o panorama supracitado impossibilita o bem viver dos cidadãos. Portanto, é imperativo o fortalecimento dos sindicatos, ator social que irá propiciar a organização dos proletários a favor da consciência social e política dos mesmos, por meio da divulgação dos benefícios dessa união. A partir dessa mobilização, as reinvindicações chegarão de maneira incisiva ao Ministério da Economia e ao Governo Federal, a fim de que a prioridade sejam as necessidades dos trabalhadores e não os interesses corporativos.