ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 11/10/2021

Segundo a Constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - institui-se que toda pessoa tem direito ao trabalho, livre escolha de emprego e a condições favoráveis de trabalho. No entanto, o que se observa na realidade brasileira contemporânea é justamente o contrário, no que concerne a escassez de trabalhos no Brasil, afetando diretamente o acesso a um emprego digno, fazendo-os aceitar qualquer trabalho - por muitas vezes informal- como forma de sobrevivência, submetendo- os, assim, à desvalorização da sua humanidade.  Esse cenário antagônico é fruto tanto da inexistência do componente de qualificação profissional na política de combate a falta de trabalho quanto da alienação da sociedade. Logo, faz-se necessário a análise de tal conjuntura como intuito de mitgar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.

Em primeira análise, a ausência de políticas públicas sufucientes para a qualificação profissional de indivíduos é uma das principais razões para a persistência da privação de trabalhos no Brasil no século XXI.  Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não ocorre no país. Devido a dificuldade de encontrar profissionais plenamente qualificados, muitas empresas acabam inviabilizando a contratação dos indivíduos. Sob essa óptica, é indubitável que a falta de qualificação profissional impossibilita a contratação de pessoas sem preparo, ocasionando o aumento da pobreza, aumentando o índice de desemprego, gerando queda  na qualidade de vida e proporcionando o mal-estar dos cidadãos, segregando- se da afirmação de Hobbes.

Ademais, urge ressaltar que a alienação da sociedade representa um agravamento da escassez de trabalho, obstruindo  a construção da dignidade humana através do emprego. Segundo a filósosfa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”, refletiu sobre a massificação da sociedade, o qual os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando- os alienados e aceitando situaçoes sem questionar, como o sujeitamento a condições degradantes de trabalho. Dessa forma, é inegável que com a alienação dos indivíduos que se submetem a uma jornada desgastante, eles são impredidos do direito ao descanso, repouso e lazer, o que compromete a saúde física e emocional que, por sua vez, desconstroi o senso de dignidade humana, confirmando a reflexão de Arendt.