ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 21/08/2022

Benjamin Franklin, polímata estadunidense do século XVIII, afirmava que o trabalho dignificava o homem. Conquanto, tal afirmativa não se manifesta com ênfase na prática ao se observa a situação do trabalhador brasileiro, uma vez que a desvalorização salarial e o trabalho análogo à de escravo são presentes na sociedade. Diante do exposto, torna-se crucial analisar os fatores que favorecem essa conjuntura.

Inicialmente, o baixo salário atribuído ao trabalhista brasileiro diante do cenário econômico nacional reforça a não construção de uma dignidade plena. Nesse sentido, conforme o pensamento do sociólogo Karl Marx, o salário traz apenas o suficiente para a sobrevivência do trabalhador e sua família, todavia, em situação econômica desfavorável, não é suficiente para a subsistência do assalariado e seu núcleo familiar. Dessa forma, o trabalhador vende sua mão-de-obra em troca de pagamento sucateado e, consequentemente, tem sua qualidade de vida prejudicada, uma situação explícita de exploração trabalhista.

Além disso, o quadro alarmante de pessoas em condições de trabalho análogo à escravidão é outro fator para a dignidade decorrente do trabalho não ser manifestada. Isso pôde ser comprovado através dos dados divulgadas pelo renascido Ministério do Trabalho e Previdência, em que cerca de 2 mil pessoas em situação similar à escravidão foram encontradas no Brasil no ano de 2021. Dito isso, condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas e trabalho forçado caracterizam o crime de submeter trabalhadores em condições análogas à escravidão. Logo, é evidente que o trabalho está longe de dignificar o trabalhador.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses empecilhos da realidade trabalhista. Para isso, é imprescindível que o Ministério do Trabalho e Previdência, por intermédio de políticas públicas, defina políticas salariais – condizente com a necessidade do trabalhador – e promova fiscalização do trabalho, a fim de alterar a má condição trabalhista brasileira. Somente assim, a qualidade de vida e a dignidade do trabalhador será reverberada, tal como idealizou Benjamin Franklin.