ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Enviada em 10/09/2022

O podcast “A mulher da casa abandonada” expõe a persistência de condições desgastantes de trabalho no Brasil contemporâneo. Da mesma forma, milhares de pessoas sofrem com a negação de direitos essenciais, como o de ir e vir e ao lazer. Dessa forma, nota-se que o trabalho não cumpre efetivamente seu papel na construção da dignidade humana devido ao legado da escravidão e aos direitos trabalhistas que reforçam mazelas socias.

Em primerio lugar, ainda há a ocorrência de trabalho escravo no Brasil atual. Segundo o IPEA (Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada), em 2022, aumentou a quantidade de pessoas resgatadas de condições analogas à escravidão. Outrossim, esses indivíduos foram resgatados de jornadas exaustivas de trabalho, deficiência alimentar e do cerceamento da liberdade. Portanto, nota-se que exercer uma profissão extinguiu os direitos básicos desses indivíduos na contramão da construção de dignidade.

Segundamente, os direitos trabalhistas visam a lucratividade em detrimento da qualidade de vida. De acordo com o site BBC Brasil, não é possível viver com um salário mínimo sem que haja deficiência no suprimento de necessidades básicas, como alimentação saudável e acesso a cultura. Portanto, observa-se que as leis de trabalho são elaboradas pelo viés de priorizar os ganhos do empregador ao invés de gerar boas condições de vida. Logo, é mister que a legislação vigente seja direcionada para a construção da dignidade.

Nesse sentido, urge que o Estado promova reformas trabalhistas por meio da aplicação de leis que levem em consideração necessidades básicas. Todavia, é necessário que o salário mínimo seja corrigido acima da inflação a cada vez que ela aumenta. Além disso, impor jornadas de trabalho mais curtas que oito horas para que os cidadãos possam se dedicar a outras atividades como lazer e estudos. Consequentemente, será possível afirmar no imaginário das pessoas que elas não precisam se submeterem a condições degradantes para ter a sua diginidade construida pelo trabalho. Assim, relatos como os de “A mulher da casa abandonada” seriam raros.