ENEM 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana
Enviada em 03/06/2023
Brás Cubas — o defunto-autor de Machado de Assis — diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de sua miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente ao trabalho na construção da Dignidade Humana é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Esse cenário nefasto ocorre não só pelo legado da história brasileira, como também pela negligência governamental.
Primeiramente, nesse contexto, é necessário analisar como a história da nação deixa uma marca que corrobora na precarização do trabalho na atualidade. Vale ressaltar que o Brasil passou por um período em que a sociedade era sustentada por uma política de caráter escravista e que suas consequências ainda estão presentes na sociedade. De maneira geral, pode-se concluir que o legado deixado por uma realidade ultrapassada mantém uma cultura que desvaloriza o trabalhador e o submete a situações que ferem os direitos estabelecidos da Constituição.
Além disso, a negligência do Estado impede que o problema seja erradicado. Segundo Abraham Lincoln — célebre figura política norte-americana — “a política é a serva do povo, e não o contrário”. Essa filosofia não é aplicada no Brasil, visto que o governo é incapaz de promover políticas públicas satisfatórias que garantam a dignidade de cidadãos das transgressões causadas pela escravidão contemporânea.
Portanto, medidas são necessárias para contornar o entrave. Para isso, é dever do Estado — assumindo seu papel de provedor do bem-estar social — encontrar meios para mitigar a exploração do trabalhador brasileiro por meio da fiscalização e da penalização a fim de manter a dignidade do cidadão brasileiro e garantir que o trabalho análogo à escravidão permaneça no passado. Assim, o Brasil estará mais próximo de se tornar uma nação que Brás Cubas teria orgulho de deixar como legado para seus filhos.