ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 30/10/2019

Após a Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra, o aumento da eficiência nos processos industriais com auxílio dos avanços tecnológicos foi inegável, assim como o crescimento exponencial das descobertas científicas subsequentes. Na atualidade, o alto teor de conectividade afeta diretamente as interações sociais. Sob tal ótica, é uma problemática viver em rede no século XXI: os limites entre o público e privado, tanto por uma questão social, quanto política.

Conforme Durkheim, um fato social é a coercitividade, ou seja, uma pressão, externa ao indivíduo, para seguir certo padrão imposto pela sociedade. Nesse sentido, a cega valorização do permanecer conectado, ainda que faça parte da socialização, estimula um compartilhamento exacerbado da vida pessoal, fator que resulta em cada vez menos discrição no que é exposto pelos usuários das redes sociais. Dessa maneira, o limite entre as informações que podem ir a público e o que se deve manter privado fica tênue.

Além disso, de acordo com Aristóteles, a política serve para promover a felicidade dos cidadãos, por essa visão a conjuntura atual falha com a população, já que em diversos pontos do mundo escândalos de monitoração e análise de dados acontecem, devido às barreiras confusas na internet. Mesmo que o acesso à rede seja um direito fundamental do ser humano, a alta conectividade gera a possibilidade de obtenção desses dados - pela falta de legislação precisa - por empresas que objetivam manipular os usuários com seus próprios dados. Logo, com a quebra do isolamento público/privado, informações consideradas pessoais, em rede, estão em risco.

Em suma, são necessárias medidas a fim de atenuar os impasses de viver em rede no século XXI. Nesse contexto, os Estados mais conectados, em associação com empresas privadas de tecnologia, deveriam se unir para criar uma legislação específica sobre o uso de dados alheios na internet, de forma a tentar proteger a população. Ainda mais, emitir uma cartilha, sob a lógica de esclarecer, no contexto atual, as melhores recomendações para os limites entre o público e o privado nas redes. Ademais, cabe ao cidadão acompanhar as mudanças políticas com o intuito de quebrar o padrão e rever a necessidade de estar constantemente conectado. Enfim, a partir dessas ações, o presente poderá consolidar os avanços não apenas na área científica, mas também na social.