ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 25/05/2020
A Guerra do Vietnã foi, no século passado, o primeiro grande conflito amplamente televisionado e, devido à gigante desaprovação popular, terminou antes do previsto. Já no século atual, observamos exposições que ultrapassam limites éticos, pois não há respeito à linha que divide o que é público do que é privado, na internet. O fato da maioria dos dados pertencerem a empresas privadas, somado à ignorância dos usuários quanto a isso, é problemático.
No momento em que o indivíduo oferece, espontaneamente, informações a uma empresa, elas passam a ser propriedade privada dela. A partir disso, dados como CPF, idade, ou mesmo interesses pessoais, podem ser comercializados. Lojas que buscam montar o perfil de um possível cliente para produzir publicidade personalizada, valorizam muito esse “produto”. O serviço “Ifood”, por exemplo, pode descobrir o doce favorito de uma pessoa e recomendá-lo constantemente para ela. A manipulação do consumismo ocorre a todo momento, legalmente, mas de forma imoral.
Além do sofisticado sistema de influência, a combinação de internautas desavisados e pessoas mal intencionadas, devia preocupar a todos, mas não é o que acontece. Na contramão disso, muitos pensam que sua privacidade está segura ao confiá-la às redes sociais e outros tipos de armazenamento “on-line”, sem saber que invasões de sistemas são recorrentes. São essas pessoas que acabam tendo fotos íntimas vazadas, e conversas privadas expostas, deixando evidente a falta de comprometimento dessas mídias em informar os usuários dos riscos.
Portanto, a influência consumista e a exposição de informações privadas, são produtos do interesse econômico excessivo, e da atuação de usuários criminosos. Cabe às empresas envolvidas, dar prioridade à segurança de seus usuários, atualizando constantemente seus sistemas de defesa. Além de, é claro, reavaliar seus princípios sobre privacidade. Ambas ações visando delimitar o que deve ser público e o que deve ser privado, para tornar a rede do século XXI um lugar seguro e menos invasivo.