ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 12/07/2020
Alan Turing, precursor da computação, jamais imaginaria que sua criação se tornaria principal tecnologia da comunicação, visto que não era esta sua finalidade. O computador, tal como a internet, foram criados para fins militares, no entanto, tornaram-se principal meio de informação e comunicação humana. Dado a característica de compartilhamento de dados, a internet perde seu anonimato, visto que estes dados podem ser descriptografados e interpretados por usuários experientes, destruindo o conceito da proteção de dados, que muitos erroneamente acreditam existir.
Primeiramente, analisando casos como o do ex-ministro da justiça, Sérgio Moro, e outros políticos que tiveram seus celulares hackeados e dados expostos na web, percebe-se que o anonimato na internet trata-se de uma ilusão, principalmente referindo-se à figuras públicas. Apesar da grande liberdade, a internet deve ser utilizada com cautela, pois, quando expostas opiniões polêmicas ou contrárias, as redes sociais tornam-se palco do linchamento virtual, popularmente chamado de “cancelamento”.
Em contraponto, nem sempre os linchamentos virtuais são causados por vazamentos de dados, na maioria dos casos são causados pela própria exposição da opinião do indivíduo ou por desavenças com indivíduos mais influentes nas redes. Estes linchamentos são categorizados como um crime virtual, ainda que as autoridades raramente punam os infratores. O linchamento virtual, entretanto, não é a única consequência da exposição excessiva nas redes sociais, como por exemplo, após uma piada racista envolvendo um jogador de futebol francês, o influenciador digital brasileiro, Julio Cocielo, teve seus patrocínios e contratos com marcas influentes, cancelados.
Em suma, apesar dos diversos benefícios e facilidades que a internet trouxe à vida moderna, é preciso ter cuidado, pois, nossa atividade em rede é constantemente monitorada pelas empresas fornecedoras, hackers, e por nossos seguidores nas redes sociais. Se faz necessário, portanto, intervenção do Estado, este que, investindo em delegacias virtuais contra cibercrimes e conscientizando a população da falta de segurança de dados, por meio de publicações oficiais nas redes sociais, garantirá uma maior qualidade de vida do indivíduo em sua navegação e estimulará a auto-segurança na web.