ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 02/09/2020
Como advento da Revolução Industrial, o meio tecnológico tornou-se cada vez mais presente no cotidiano do indivíduo. Entretanto, hodiernamente, a exposição exacerbada dos indivíduos nas redes sociais, pode ser vista negativamente, visto que oferece riscos à segurança e privacidade do cidadão e demonstra a fluidez das relações humanas, que, muitas vezes, são trocadas por vídeos, curtidas e bate-papos no âmbito virtual. Logo, medidas são necessárias para atenuar tais problemáticas e garantir, de forma saudável, um meio que toda sociedade possa usufruir.
Primeiramente, cabe analisar o impacto da tecnologia para as relações interpessoais. Acerca disso, é relevante abordar a fala do sociológo Zygmunt Bauman, na qual argumentou sobre a liquidez das relações humanas, em que se observa a volatilidade das relações, baseadas na rapidez e descartabilidade. Essa prática é acentuada devido ao tratamento banal do contato pessoal, em detrimento do virtual, o que resulta no paradoxo de se estar “em rede”, formando novos laços de relacionamento, ao passo que se desconstrói contatos “reais”, literalmente.
Além disso, é inegável os inúmeros riscos por trás da internet, favorecido pela superexposição dos seus usufruidores. Segundo pesquisa feita pelo Ibope, 94% da população brasileira tem acesso às redes sociais, contudo, uma grande parcela não reconhece os prejuízos que podem sofrer, na qual, a partir da liberação de dados “simples” como contas de e-mails e números de telefone, podem ter suas privacidades atacadas. Outrossim, esse desconhecimento pode gerar incontáveis transtornos à vítima, na qual pode enfrentar crimes como o hackeamento e invasão de dados pessoais, contas bancárias, imagens e perfis particulares, que, infelizmente, são transgressões facilitadas pela escassez de informação e tornaram-se recorrentes nessa sociedade conectada.
Portanto, urge a tomada de iniciativas para garantir a segurança dos usuários desses meios e o controle à essa exposição, que pode ser trocada por interações reais. Dessa maneira, cabe aos donos de redes sociais como Facebook e Instagram, a vistoria de possíveis invasões à privacidade e segurança dos seus utilizadores. Podem realizar essa ação por meio da melhoria na proteção dos dados dos usuários, com o estabelecimento de reconhecimento facial e mais senhas secretas, garantindo a proteção do indivíduo, e a criação de filtros e moderadores que alertem ao dono do perfil o aparente risco de apropriação dos seus dados, de modo a assegurar a segurança do usuário. Por fim, a adoção de campanhas de conscientização quanto à diminuição do uso de redes socias e a valorização das relações pessoais e reais torna-se essencial, para que, a partir dessas ações, seja possível subverter a visão de Bauman e valer-se desse meio de maneira proveitosa.