ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 20/11/2020

Na entrada do Oráculo de Delfos, monumento da Grécia Antiga, possuía a frase do pensador Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”. Notadamente, uma referência à importância de auto conhecer seus limites e possibilidades. Nesse sentido, é de suma importância analisar a forma com que os sujeitos vêm vivenciando as redes no século XXI, um produto da modernização dos meios de comunicação e, por consequência, dos novos modos de socialização. Desse modo, percebe-se como ferramentas que fomentam tal cenário, não só a super exposição das pessoas nos novos aplicativos de interação social, como também o compartilhamento indiscriminado de informações privadas.

A princípio, desde o final do século XX, após a Guerra Fria, na qual se deu início à Revolução técnico-científica, ou seja, os avanços tecnológicos, a forma como o ser humano se relaciona e se comporta também tem passado por transformações. Empresas como Facebook e Instagram são utilizados, diariamente, palco para conexões interpessoais e também para a divulgação de si. A isso,  Bauman, em Modernidade Líquida, dissertou sobre a fragilidade dos laços humanos e sobre o desejo conflitante de estreitar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos, os quais são traços característicos desse tempo de liquidez nas relações sociais, políticas e econômicas.

Nessa perspectiva, tendo em vista a constante tendência das pessoas estarem utilizando, de alguma forma, a “internet” e estando, cada vez mais, presente nas redes sociais, faz-se necessário pensar que, têm-se aqui também uma dificuldade dos seus usuários de discernir o que é da esfera pública, e o que deve ser da esfera privada, tanto no que diz respeito aos seus “posts”, quanto ao que se compartilha. Prova disso é o recorrente fato de artistas famosos terem suas fotos íntimas vazadas nas mídias, em sua maioria, espalhadas virtualmente por ação criminosa de “hackers”.  À vista disso, a dissonância entre o uso inadequado e o uso consciente e seguro precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que a mídias sociais - sites e aplicativos -  indiquem e demonstrem, de forma educativa, aos seus usuários quais materiais podem ser compartilhados em suas plataformas e os orientem didaticamente a como classificar o que se pretende publicar como sendo conteúdo público ou privado. Posto isso, é importante que tal ação possua uma periodicidade para que os internautas tenham essas informações recordadas. Ademais, é imprescindível que o Estado faça campanhas publicitárias que conscientizem a população dos riscos do uso indiscriminado das redes e do suporte legislativo que este oferece ao indivíduo que teve sua imagem ou seus dados violados, vítima do crime cibernético. Dessa forma resolver-se-ão as questões associadas ao viver em rede no século XXI e, por fim alcançar-se-á o anseio de Sócrates.