ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 16/11/2020
No filme “Modo avião”, a personagem Ana tem seu celular confiscado e quando o pega de volta percebe como em pouco tempo ficou desatualizada quanto as notícias. De fato, casos como o dela não se limitam a cenários fictícios, visto que as informações são propagadas mais rapidamente no meio virtual. Nesse sentido, analisar as causas e consequências de se viver em rede no século XXI é pertinente ao contexto brasileiro. Fica notório que a ascensão ao acesso à internet é um fator essencial para essa conjuntura, no entanto isola socialmente aqueles que não conseguem usar a rede.
A priori, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% da população brasileira têm acesso à internet. Nessa lógica, é válido afirmar que a rede virtual já faz parte da realidade em que as pessoas estão inseridas. Segundo o filósofo, Herbert Marshall, a internet cria uma espécie de aldeia global, pois ela tem a função de encurtar espaços físicos a medida que e tramite informações e cria a própria comunidade a nível global. Logo, presume-se que os indivíduos podem presenciar um momento histórico, no qual o uso da rede tornou-se essencial para a vida moderna.
Ademais, aqueles 30% que não têm acesso à internet também vivem um novo momento, estão ainda mais isolados que antes. Dentre esses efeitos, o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), no qual uma das metas é reduzir desigualdades. Por certo, uma vez que parte da população brasileira se encontra da fora da aldeia global, logo, sem acesso às informações e à socialização que ela proporciona, o Estado demonstra despreparo em cumprir acordos internacionais. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Ana têm que acontecer somente por opção dos indivíduos e não por causa da desigualdade ao acesso. Assim, é necessário que o Ministério da tecnologia, com ações das prefeituras, forneça internet gratuita em espaços públicos, por meio da inserção de parte dos impostos das empresas que fornecerem esse serviço , com o intuito de aumentar a porcentagem apresentada pelo IBGE. Além disso, a comunidade e as principais corporações de telefonia precisam criar mutirões de recolhimento e conserto de celulares para serem distribuídos à população carente. Enfim, a partir dessas ações o Estado cumprirá com o acordo de diminuir a desigualdade conforme garantido à ONU.