ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 14/11/2020

No seriado “iCarly”, a personagem principal - Carly - é uma jovem americana que decide criar um show virtual junto com seus amigos. Em certo momento, o apartamento da protagonista é invadido por fãs, dado que a exposição vivenciada pela equipe do programa atenuou os limites entre suas vidas públicas e pessoais. Infelizmente, pode-se afirmar que o mesmo fenômeno acontece na contemporaneidade, porquanto a fusão da esfera coletiva com a particular tem gerado transformações no cardápio comportamental da sociedade. Com efeito, deve-se discutir sobre o viver em rede no século XXI.

Em princípio, é mister compreender que as novas tecnologias, como smartphones e aplicativos digitais, são patrocinadores de novos hábitos sociais. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman qualifica a pós-modernidade como uma era marcada pela fragilidade dos laços humanos. Dessarte, para o autor, as configurações virtuais que possibilitam as pessoas começarem e terminarem amizades com o pressionar de um simples toque fomentam a efemeridade dos relacionamentos, influenciando a esfera da realidade. Consequentemente, tais aspectos banalizam a proximidade afetiva e o comprometimento, gerando, por exemplo, a desvalorização do convívio relacional.

Outrossim, a combinação entre o público e o privado promove profundas alterações da vivência coletiva. Dessa forma, tal realidade marca o declínio da privacidade no contato social, produzindo, como resultado, uma sociedade marcada pela vigilância, visando a manipulação. Como exemplo, no documentário “O Dilema das Redes” é revelado que as informações compartilhadas nas redes de interatividade são constantemente usadas pelas plataformas para controlar o comportamento dos usuários. Ora, é necessário definir meios para amenizar os déficits gerados pelas mudanças provenientes do virtual.

Evidencia-se, portanto, que a aproximação do público e do privado, bem como os novos meios de socialização, tem influenciado o menu comportamental da população. Destarte, para evitar danos colaterais destas questões, o Ministério de Comunicações (MCTIC) deve fomentar os hábitos sociais que patrocinam o bem-estar dos indivíduos, por intermédio da produção de documentários e reportagens que serão transmitidos em TV aberta e plataformas digitais, visando conscientizar as pessoas sobre os perigos da exposição, como também os problemas ligados a desvalorização do convívio social. Como resultado, será possível viver em rede de modo equilibrado.