ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 14/11/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal estabelece o desenvolvimento tecnológico como meta nacional e impõe ao poder público o dever de fomentá-lo. Entretanto, apesar do progresso da internet, a evolução não alcança todos os indivíduos de forma equânime e muitos permanecem marginalizados. Ademais, o uso inadvertido das tecnologias digiais pode ser nocivo à segurança,  prejudica o exercício do direito supramencionado e deve ser evitado. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado a fiscalização eo  gerenciamento do tema e, à sociedade, a ostensiva conscientização.

Sob esse viés, tem-se que o acesso à internet é essencial à homeostase (equilíbrio dinâmico) e à inclusão social. Nesse ensejo, tal assertiva é corroborada pelo entendimento do filósofo Pierre Lévy, em “Cibercultura”, o qual alega que a grande rede democratizou o acesso ao conhecimento e fortaleceu a sociedade, todavia, constata também que a utilização deve ser feita de maneira consciente, para que se evitem riscos e a exposição desnecessária. Desse modo, evidencia-se que o governo deve incentivar a evolução digital, porém, concomitantemente com instruções sobre o uso seguro dos novos suportes.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das demandas sociais existentes. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas nacionais. Em contrapartida, como sustenta o autor, postula-se que a mudança deve emanar do povo. Por conseguinte, torna-se claro que a conscientização acerca da maneira adequada de usufruir do universo “on-line” deve ser iniciada, ainda, no seio familiar e nas escolas.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial para gerenciar a legislação inerente ao tema e sua aplicabilidade. Para isso, os parlamentares deverão consultar especialistas no assunto, de modo a garantir a coerência dos trabalhos. Nesse ponto, uma boa linha de ação consiste em adequar o ensino de base, de teor tecnicista, para que sejam inseridas aulas semanais de ambientação digital, ministrada por profissionais qualificados, em todos os colégios nacionais. Assim, gradativamente, a tendência será a ampliação do alcance da internet, de maneira segura e plural.