ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 31/03/2023
Yuval Noah Harari, na obra “21 lições para o século XXI”, aponta como a vivência em rede tornou-se preponderante na atualidade. Nesse âmbito, é essencial estabelecer limites entre o que pode se tornar público e aquilo que deve se manter na esfera privada. Quando esse princípio é desrespeitado há uma tendência de exposição exagerada, a qual pode, inclusive, colocar em risco a vida dos indivíduos.
Vale destacar, primeiro, que não raramente as pessoas publicam muito mais conteúdo do que seria recomendado. Esse processo está relacionado ao que o pensador Guy Debord denominou espetacularização da sociedade, na medida em que tudo só ganha sentido e relevância quando é mostrado e exposto aos outros, como em uma vitrine. Assim, os acontecimentos da vida privada transformam-se em verdadeiros espetáculos a serem assistidos.
Atrelado a isso, está o risco do compartilhamento exacerbado de informações próprias e de contatos próximos. Isso porque o número elevado de publicações sobre hábitos e rotinas torna os sujeitos mais vulneráveis ao ataque dos ditos stalkers, conforme se pode observar na série “You”, na qual o protagonista consegue perseguir uma moça utilizando-se, dentre outros artifícios, dos dados postados por ela em suas redes sociais. Desse modo, expor tudo a todo o tempo pode representar uma ameaça real.
Observa-se, portanto, a necessidade de respeitar a linha entre o público e o privado nas redes. Diante disso, os veículos de mídia devem favorecer a adoção de condutas mais seguras no ambiente virtual, o que deve acontecer mediante campanhas educativas que abordem a primazia de se manterem certas informações resguardadas, enfatizando os perigos de contrariar essa orientação. Com tal medida, será possível minimizar a superexposição, bem como os problemas dela advindos, tornando a experiência on-line muito mais segura.