ENEM 2012 - O movimento imigratório para o Brasil no século XXI

Enviada em 31/03/2020

Conforme o pensamento do filósofo contemporâneo Michel Foucault, a principal função dos micropoderes no corpo social é interiorizar e fazer cumprir as normas coercitivas estabelecidas pela disciplina democrática. Em contrapartida, de maneira análoga a isso, prevê-se que a prerrogativa legal encontra-se distante na efetivação, o que tem crescido de forma exponencial às discussões acerca do movimento imigratório para o Brasil no século XXI e somente ações divergentes devem restringir essa problemática. Nessa ótica, mediante à esfera civil, inferem-se dois fatores importantes: a limitada  concentração de renda frente à configuração socioespacial e a insuficiência legislativa.

Em primeiro lugar, é notório pontuar que o despreparo cívico governamental e sua aplicação sejam um dos mediadores do problema. Prova disso, segundo a pesquisa divulgada pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg) , em 2011, o Brasil concedeu 70.524 vistos de trabalho para estrangeiros. Desse modo, o número representa um aumento de 22% em relação ao ano de 2010. No entanto, diante dessa perspectiva, evidencia-se a fragilidade do Poder Público em oferecer um sistema econômico eficiente aos cidadãos em escala macroscópica nacional e a facilidade desse número registrado tornar-se  constante, viabilizada por negligência estatal, devido à ausência de fiscalização e administração por parte de gestões governamentais, como também prejudica na capacitação profissionais de indivíduos ao ingressarem no mercado de trabalho, o que tem gerado uma sociedade cada vez menos analítica.

Em segundo lugar, nessa assertiva, destaca-se a insuficiência  legislativa, que ainda é o vetor ativo desse impasse. Sob essa conjuntura, o escritor intelectual Rubem Alves defende a ideia de que as escolas podem ser comparadas a asas ou gaiolas, haja vista que podem proporcionar voos ou condições de exclusão. Nessa lógica, paralelamente a essa corrente filosófica, ações estatais são imprescindíveis para garantir na transposição de obstáculos  propiciados pela inércia dos fatos sobre o quadro alarmante, muitas vezes, sem perceber  que a transformação  pode partir de iniciativa própria.

Portanto, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), como instância máxima dos aspectos educacionais, deve com urgência, adotar estratégias psicopedagógicas para mitigar as dificuldades que segmentam no movimento imigratório de alunos para o Brasil. Essa ação pode ser feita por meio de palestras didáticas e simpósios ministrados por especialistas no assunto, as quais elucidem a importância de combater tais atos infringíveis à sociedade utilitarista, com o objetivo de promover criticidade e educação socioeconômica no ambiente escolar. Ademais, com a tentativa de fomentar a “disciplina democrática” proposta por Foucault, na prática, compete o Governo Federal, aliado ao Poder Legislativo, devem formular leis que ponderam uma atitude mais engajada e coesa para a cidadania.