ENEM 2012 - O movimento imigratório para o Brasil no século XXI
Enviada em 06/07/2020
O livro “O Cortiço”, escrito pelo naturalista Aluísio Azevedo, retrata uma comunidade incipiente e ativa localizada no Rio de Janeiro do século XIX, na qual se reúnem diversas pessoas pela busca de melhores condições de vida, desde de brasileiros de outros Estado, até portugueses. Hodiernamente, o movimento imigratório no Brasil ainda continua, adjunto, infelizmente, de diversos problemas sociais e estruturais. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um panorama desafiador para essas pessoas, seja pela xenofobia, seja pela falta de estrutura para acolhê-las.
Mormente, o preconceito contra o imigrante configura-se como um dos principais problemas no que tange ao movimento imigratório para o Brasil atualmente. Na opinião da socióloga e youtuber Rita von Hunty, a mentalidade racista e preconceituosa da população brasileira é fruto de rastilhos históricos de um processo de “embranquecimento da raça”, fundamentado no darwinismo social, durante os séculos XIX e XX. Tristemente, esse pensamento ainda encontra-se diluído na população, uma vez que a aversão aos imigrantes, majoritariamente, haitianos e bolivianos, dá-se pela cor da pele do indivíduo, os quais são, em sua maioria, afrodescendentes e indígenas, o que indica uma mentalidade não muito diferente dos séculos passados.
Outrossim, outro problema enfrentado pelo imigrante é a falta de estrutura. Não obstante o preconceito sofrido por essas pessoas, elas ainda definham pelo desamparo: muitos terminam nas ruas e sob condições sub-humanas. Isso ocorre porque o Estado não se mobilizou para criar centros de acolhimento, tal qual campanhas de reinserção social. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Destarte, enquanto as instituições não fizerem algo, imigrantes continuarão a sofrer e sem uma vivência digna, o que pode, inclusive, incitar um cenário de aumento de prostituição e criminalidade nas cidades.
Urge, portanto, uma solução definitiva para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos(MFDH), vinculado ao Ministério da Infraestrutura, criar centros de acolhimento nas cidades de intensa circulação imigratória , os quais devem ter dormitório, refeitório, banheiros e pátios, e devem acolher, temporariamente, imigrantes até que eles consigam um emprego e possam se mudar para outra moradia, além de promover apoio psicológico a essas pessoas. O projeto deve ser bancado por parcerias público-privadas e campanhas de arrecadação divulgadas na mídia(TVs, “Outdoors”, mídias sociais etc). Assim, espera-se atenuar o problema do preconceito e da infraestrutura, indo a favor de uma sociedade mais acolhedora com os imigrantes.